Brasília - O Brasil vai negociar um novo programa com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para assegurar as condições de crescimento em 2004, anunciou ontem o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. A vice-diretora gerente da instituição, Anne Krueger, desembarca hoje à tarde no Brasil, atendendo a convite do ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Em nota, o Ministério da Fazenda informou que Krueger e Palocci ''deverão discutir as bases para se negociar esse acordo e seus contornos.'' Este será o primeiro programa com o Fundo inteiramente negociado pelo governo do petista Luiz Inácio Lula da Silva.
''Eles vão discutir e completar mais a visão do que poderia ser o programa do Fundo'', segundo informou Levy, que é o principal negociador do Brasil com o Fundo. Pela hierarquia do FMI, cabe a ela conduzir entendimentos nesse nível. O secretário disse ainda que, nos últimos dias, integrantes do governo brasileiro e do Fundo discutiram a conveniência e interesse de um programa. ''A nossa avaliação conjunta é de que, sim, há interesse'', disse.
''Concordamos que é muito benéfico prosseguir com um acordo'', comentou o chefe da missão do FMI, Jorge Marquez-Ruarte. ''O Fundo segue disposto a apoiar um programa de governo que tenha como objetivo o crescimento e a equidade.'' Ruarte e Levy anunciaram juntos a decisão de fazer um novo acordo.
Nenhum detalhe foi anunciado ontem. Segundo Palocci, eles serão decididos entre hoje e amanhã. ''Já estamos negociando'', afirmou o ministro. O valor do programa, sua duração, se ele será uma prorrogação do atual ou um acordo totalmente novo, se ele vai ou não abrigar mudanças nas metas - são questões que já estão em discussão há algum tempo, mas serão decididos apenas com a vinda de Anne Krueger.
''Já temos US$ 30 bilhões em caixa'', comentou o secretário, quando questionado sobre o valor do novo programa. Ele se referia às parcelas do atual acordo do Brasil com o FMI que já foram sacadas e estão nas reservas internacionais. ''Estamos desenhando o que responde melhor às perspectivas, ao balanço de pagamentos e a compromissos internacionais do Brasil.'' Ele comentou que as contas externas estão evoluindo de forma positiva, ''em resposta a políticas que estamos adotando.''
Embora Levy não tenha avançado em detalhes, o próprio Palocci já adiantou que o novo programa com o FMI será de um ano e terá caráter preventivo. Ou seja, ele será uma garantia a mais para o País, na eventualidade de haver algum choque externo.
Como há ainda uma parcela de US$ 8 bilhões, referente ao acordo atualmente em vigor, a ser liberada proximamente, é possível que esse valor seja incorporado ao futuro programa que teria, adicionalmente, alguns bilhões em ''dinheiro novo''. Ontem, circularam rumores de que seriam US$ 4 bilhões. Esse dinheiro fica no Fundo, à disposição do País. É como normalmente ocorre nos acordos ''de precaução'' que o FMI faz.

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