O programa Novilho Precoce, que começou a ser executado em março de 1995 pela Secretaria da Agricultura, deve mudar o panorama da pecuária de corte nas pequenas propriedades do Paraná. Investindo em tecnologia nas área de genética, alimentação e sanidade e buscando o cruzamento industrial, o programa pretende reduzir o período de engorda do gado para permitir o envio do animal mais cedo para o abate.
Hoje, a Secretaria da Agricultura já contabiliza 222 produtores cadastrados no programa. Até agora, 2.556 animais foram abatidos e tipificados como ‘novilhos precoces’, totalizando R$ 22,4 mil em ICMS restituído ao produtor.
A vantagem oferecida ao produtor pela adesão ao programa é um abatimento de 50% no ICMS. Com isso, na comercialização do rebanho, o tributo cai dos atuais 7% para 3,5%, o que representa uma receita a mais para o pecuarista.
‘‘Além de antecipar a receita com a venda antecipada do gado, o produtor fica com a metade do valor correspondente ao imposto, o que é incorporado à sua receita’’, explica o médico veterinário Lourival Uhlig, diretor do Departamento de Pecuária (Depec), da Secretaria da Agricultura.
‘‘Em condições normais, o gado leva de quatro a cinco anos para atingir as 18 arrobas, peso ideal de abate’’, informa o diretor do Depec. Com o programa, será possível reduzir este tempo para dois anos.
A principal vantagem, segundo Uhlig, é a antecipação da receita ao produtor. ‘‘Ao invés de ter que esperar quatro anos para ter um retorno do investimento, o pecuarista pode começar a ganhar com a atividade em apenas dois anos’’, afirma.
O veterinário explica que para conseguir o chamado novilho precoce, o pecuarista deve se pautar em três itens básicos: genética, alimentação e sanidade. Em primeiro lugar o pecuarista deve buscar animais de qualidade para o cruzamento com o seu rebanho. O mais indicado é o cruzamento industrial de uma raça zebuína com uma européia. ‘‘Este choque de sangue permite ao mesmo tempo precocidade e rusticidade aos animais’’, explica.
A alimentação é outro ponto fundamental no ganho de peso de animais, segundo Uhlig. O produtor deve investir em pastagem e na produção de feno e silagem, para nunca deixar faltar alimentação quando o animal está confinado.
A questão sanitária é tão importante quanto as demais. Um animal doente perde peso, baixa a produção, além de ameaçar um risco a todo o rebanho. Por isso, é fundamental fazer um trabalho preventivo através de um manejo adequado e nunca deixar de vacinar o rebanho.
Além do desconto no ICMS, o programa Novilho Precoce oferece uma linha de crédito ao agricultor. Com recursos do BNDES, corrigidos pela TJLP mais juros de 6% ao ano, o produtor pode financiar instalações, equipamentos e até a aquisição de animais. O prazo para o pagamento é de cinco anos com dois anos de carência. O limite do financiamento depende da capacidade de endividamento do produtor.

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