Uma operação integrada em quatro municípios da Região Norte do Paraná prendeu nove pessoas suspeitas de formarem um grupo que fabricava e comercializava combustível adulterado para abastecimento de postos. Pelo menos quatro detidos são proprietários de estabelecimentos em Londrina, Cambé, Marialva e Arapongas. As investigações tiveram início há dois meses e apontaram que o grupo utilizava um posto de combustível desativado em Uraí para preparar uma mistura de solvente, álcool anidro e corante, vendida como gasolina.
Ao todo foram expedidos 11 mandados de prisão. Dois suspeitos estavam foragidos até o início da noite de ontem. Também foi apreendido um caminhão com cerca de 15 mil litros do produto adulterado, encaminhado ao pátio do 5º Distrito Policial de Londrina. Conforme a ''contabilidade'' do grupo, apresentada ontem pelo Ministério Público em coletiva de imprensa, o custo total era de R$ 1,60 o litro, sendo comercializada por R$ 2. Em média, o preço da gasolina comercializada por distribuidoras legalizadas é de R$ 2,16 o litro (veja quadro). O lucro chegava a R$ 1 o litro do produto comercializado.
Segundo o delegado do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, um laudo técnico em poder da polícia comprova a composição da mistura. ''Temos imagens do descarregamento do produto em um dos postos'', afirmou. Segundo o promotor Claudio Esteves há evidências na participação de outras pessoas mas, a princípio, a investigação revelou o comércio do produto adulterado em apenas quatro postos. ''Certamente houve distribuição em outros'', observou. Dos quatro donos de postos presos, três têm estabelecimentos em Londrina e um em Maringá. Entre os postos, dois são bandeirados e os outros dois são bandeira branca.
Conforme Alan Flore, cada membro do grupo desempenhava uma função no esquema de adulteração: ''Dois homens eram responsáveis por fazer a mistura, outro intermediava as negociações, havia também o condutor do caminhão que transportava o combustível adulterado para os postos e uma quinta pessoa que financiava tudo'', detalhou, citando que o restante dos presos são donos de postos de combustíveis que recebiam a ''gasolina''. Os mandados de prisão preventiva foram cumpridos em parceria com a Divisão Estadual de Narcóticos de Londrina e Maringá e com policiais do serviço reservado da Polícia Militar de Londrina.
Os detidos foram encaminhados ao 2º DP e ao Centro de Detenção e Ressocialização. O Gaeco tem dez dias para concluir o inquérito. Os presos vão responder por crimes conta a ordem econômica e relações de consumo, além de formação de quadrilha. A pena para cada integrante pode passar de oito anos de reclusão. O Ministério Público também deve pedir a interdição do único posto que revendia produto adulterado em Londrina. ''Vamos comunicar a Agência Nacional do Petróleo e pedir fechamento do comércio'', afirmou o promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogayar.
-Parte dos vídeos feitos pelo Gaeco durante as investigações estão disponíveis no site do Bonde (www.bonde.com.br)

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