Para celebrar o Dia Nacional do Campo Limpo, a Associação Norte Paranaense de Revendedores Agroquímicos (Anpara) promoveu ontem evento que reuniu cerca de 200 participantes em sua unidade localizada em Cambé, Norte do Estado. Ao longo dos 10 anos de implantação do sistema de logística reversa baseado no recolhimento e reciclagem de embalagens vazias de agrotóxicos, foram recicladas nove milhões de embalagens, o equivalente a mais de 3 mil toneladas de material.
De acordo com o gerente técnico administrativo da Anpara, Irineo Zambaldi, a unidade encaminha para reciclagem uma média de 350 toneladas de material todos os anos. Segundo ele, de todo o volume recebido, 94% é reciclável, enquanto apenas 6% é contaminado e destinado à incineração. Durante o evento, profissionais da assistência técnica e estudantes de cursos ligados às áreas agrícolas e ambientais receberam informações sobre o funcionamento do sistema de coleta, avaliação, separação, empacotamento e transporte das embalagens recebidas.
Em cinco estações demonstrativas, profissionais da Anpara explicaram todas as etapas do processo. Zambaldi lembrou que o recolhimento das embalagens vazias é feito na própria unidade e também por meio do transbordo itinerante, em que um caminhão passa por diversos pontos dos municípios da área de abrangência da entidade fazendo a coleta com pequenos produtores.
''Inicialmente separamos a carga em dois tipos, as recicláveis e as contaminadas, que não são laváveis e seguem para ser incineradas'', explicou Zambaldi. Na sequência, as embalagens recicláveis são separadas em outras sete classificações de acordo com o material de composição. Ele lembrou que a Anpara recebe, além das embalagens, suas tampas, rótulos, bulas e caixas de papelão em que são entregues.
Após serem prensadas e separadas em fardos, as embalagens são transportadas pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (Inpev) para as indústrias recicladoras ou incineradoras. ''O sistema é todo informatizado e assim que completamos uma carga, ela já é direcionada à uma recicladora que precisa'', afirmou. Zambaldi ressaltou que todos os envolvidos no processo cumprem normas ambientais rigorosas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
No final do trajeto, foram apresentados os possíveis destinos do material reciclado, dentre eles embalagens para óleo lubrificante, cano de esgoto, conduíte elétrico, caixa de fiação elétrica, duto corrugado, eletrotubo para telefonia, barricas de papelão e novas tampas para embalagens de agrotóxicos. ''Além da questão ambiental, o lado da saúde pública também é muito importante nesse processo. Uma grande vantagem do sistema é tirar esse material da reciclagem comum'', argumentou.
O Governo Federal trabalha para que até 2012 sejam definidas normas de funcionamento do sistema de logística reversa para os demais setores da enonomia.

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