Novas variedades de trigo buscam qualidade
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sexta-feira, 22 de agosto de 2003
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Atender às necessidades do mercado com cultivares que apresentem boa qualidade e resistência a doenças e pragas é o objetivo das instituições de pesquisa, quando desenvolvem novas variedades de sementes. No caso do trigo, o surgimento de novas cultivares foi fundamental para a adaptar a cultura ao clima do País.
A história do trigo no Paraná foi contada, ontem, no Dia de Campo do Trigo realizado pela Embrapa Soja. Os 150 técnicos do poder público e da iniciativa privada que participaram do evento aprenderam também sobre o manejo da cultura e das pragas, além de conhecerem as variedades desenvolvidas por Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
De acordo com o pesquisador Luis César Tavares, o trigo chegou ao Brasil ainda na época em que o País era colônia portuguesa. Por suas características, se adaptou à região Sul. No Paraná, o plantio começou em 1914, na região de Ponta Grossa, com uma cultivar do período colonial. Dez anos depois, foi desenvolvida a variedade PG1, dando início à pesquisa sobre a cultura no Estado.
As cultivares desenvolvidas na primeira metade do século passado têm ''filhos'' ainda hoje utilizados. Um dos exemplos é a brasileira Frontana, de 1943, que mais gerou variedades no mundo. Resistente à ferrugem, tem descendentes na Argentina, México, Canadá e Estados Unidos.
Atualmente, as pesquisas visam obter sementes de qualidade para o plantio de trigo pão (usado pela panificação) e trigo melhorador (para a indústria de massas). Tavares contou que, na década de 80, o Brasil quase atingiu auto-suficiência em trigo. Em 1987, o País produzia 6,2 milhões de toneladas e consumia 7,2 milhões.
A indústria, porém, difundiu a idéia de que o trigo nacional não tinha qualidade. Esse fator, somado à privatização do processo de comercialização, que antes era feito pelo Banco do Brasil, provocou queda na produção. Ele comentou que, atualmente, o trigo plantado no Norte do Paraná é o que apresenta melhor qualidade para a indústria. ''A colheita é realizada em agosto, quando o clima está seco'', explicou.
O Dia de Campo teve lançamento de novas cultivares de trigo. Em parceria com a Fundação Meridional, a Embrapa apresentou a BRS 220, que, em testes realizados nos últimos três anos, apresentou rendimento médio de 4,22 toneladas por hectare. Este volume foi 7% superior à média das cultivares mais plantadas de todas as regiões do Paraná.
A cultivar é considerada de ciclo médio, porque leva 69 dias, em média, até chegar ao espigamento. Porém, no norte do Paraná, tem apresentado ciclo precoce de maturação. Na média geral, apresentou altura de planta de 84 centímetros, característica que, aliada ao bom sistema radicular e palha forte, proporciona à BRS 220 excelente resistência ao acamamento.
Outras características são resistência à ferrugem da folha e moderada resistência às demais doenças fúngicas que atacam o trigo. Além disso, é moderadamente tolerante ao alumínio, problema que afeta grande parte dos solos paranaenses. O Iapar lançou as variedades IPR 109 e IPR 110. Ambas de ciclo precoce, a primeira pertence à classe pão e, a segunda, à classe brando.


