Novas tecnologias podem alavancar setor de cana
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sábado, 10 de dezembro de 2011
Ricardo Maia <br> <br> Reportagem local 
Com o foco no fomento à produção de cana no País, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) lançou durante a Cana Show, evento do setor de cana-de-açúcar ocorrido na última quarta-feira em Piracicaba (SP), duas novas variedades de cana. CTC23 e CTC24 formam a sétima geração de plantas produzidas pela empresa.
Uma das principais características dessas duas novas espécies são os baixos índices de florescimento das plantas e o alto teor de açúcar. Além disso, segundo informações do CTC, elas proporcionam uma melhor adaptação para a implantação da mecanização nas lavouras, já que os colmos dessas novas variedades são constituídos de portes eretos, o que facilita a entrada das máquinas.
Além disso, segundo o pesquisador do CTC, Arnaldo José Raizer, a alta adaptabilidade da variedade CTC23 a solos compostos por arenito pode beneficiar o desempenho de produção no noroeste do Paraná. ''Hoje a nossa empresa possui quatro especialistas atuando no Estado, os quais focam suas pesquisas nas principais necessidades das usinas paranaenses'', destaca.
Ricardo Rezende, diretor da usina Sabarálcool, sediada no município de Engenheiro Beltrão (Centro), destaca que o CTC é um instrumento essencial para a implantação de novas tecnologias não só no Paraná, mas também em todo o Brasil. Segundo o representante da usina, as novas variedades produzidas pela empresa deverão, em breve, ser testadas em áreas pertencentes à usina.
Em três anos, de acordo com informações do CTC, 250 mil plantas produzidas pela empresa foram enviadas ao Paraná para a realização de pesquisa de adaptabilidade. Nas principais regiões produtoras do Estado, as variedades que mais utilizadas são: CTC 4 e 9 para início de safra, CTC 2 direcionado ao meio do período de plantio e a CTC 14 e 15 para o término de ciclo.
Tecnologias
Criar uma nova tecnologia, de acordo com o diretor superintendente do CTC, Gustavo Teixeira Leite, é algo caro e que leva tempo. Para cada nova planta implantada são investidos em torno de R$ 150 milhões. Leite revela que criar uma nova variedade de cana-de-açúcar é mais complexo do que qualquer outra cultura. Por causa disso, afirma ele, o interesse por investimentos nesse setor ainda é pequeno.
Leite completa que o custo e o tempo para a criação de uma nova variedade de cana são maiores porque o germoplasma da planta é bem mais complexo do que uma cultura de grãos. Porém, o CTC quer mudar esse quadro. Por meio de parcerias com instituições de fomento à pesquisa e empresas privadas, a instituição também já inicia pesquisas relacionadas à produção de energia por meio da biomassa da cana.
E os investimentos, segundo a empresa, não param por aí. Já em 2012, o CTC deverá inaugurar a primeira planta demonstrativa para a obtenção de etanol de segunda geração. De acordo com o diretores da instituição, a instituição ainda está à procura de uma unidade que se encaixe melhor às necessidades do CTC.


