Arquivo FolhaSem recuoKandir confirma a provável alteração no preço, mas nega mudanças no cronograma de privatização

BRASÍLIA - O governo pode aumentar o preço mínimo de venda da Companhia Vale do Rio Doce, que tem leilão previsto para este primeiro trimestre, em consequência da descoberta de novas jazidas de ouro e cobre na região de Carajás, no sul do Pará. ‘‘O valor da jazida será computado no preço de venda da Vale’’, disse o porta-voz da Presidência da República, Sérgio Amaral.
O ministro do Planejamento, Antônio Kandir, confirmou a provável alteração no preço mínimo, que ainda não foi divulgado pelo governo, e negou que a descoberta possa mudar o cronograma ou o modelo de privatização da estatal. ‘‘Continua a programação como está, apesar de o governo estar feliz com as indicações de uma boa descoberta’’, disse ele. ‘‘Ela poderá afetar o preço’’, acrescentou.
O ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, preferiu não comentar a informação. Através de sua assessoria, Brito mandou dizer que o Ministério só vai se manifestar por meio da Companhia Vale do Rio Doce, que divulgou nota sobre o assunto no Rio de Janeiro.
Durante todo o dia, o governo procurou demonstrar cautela sobre o assunto. O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) anunciou que iria aguardar uma comunicação oficial da Vale sobre as novas jazidas. ‘‘A Vale tem a obrigação de nos informar a descoberta’’, informou o diretor do DNPM, Miguel Navarette Junior. A estatal tem um prazo de três anos para apresentar o relatório final ao órgão.


Governo ontem
demonstrou
cautela ao
tratar assunto


‘‘Normalmente as empresas aguardam a realização de mais pesquisas e acúmulo de dados para poder apresentar um primeiro relatório parcial ao DNPM’’, lembrou Navarette. Ele explicou que para esse primeiro relatório é preciso realizar cubagens e uma justificativa consistente para endossar o trabalho de campo. ‘‘É preciso provar o que se comunica’’, disse ele.
Enquanto não receber esse relatório, o DNPM não pretende comentar ou especular sobre a descoberta. ‘‘Nesses casos, o setor mineral atua com uma certa reserva’’, explica Navarette. Não pode haver furos na divulgação de uma grande jazida. Por isso, a lei obriga a apresentação de um relatório final em três anos, mas esse prazo pode ser estendido por mais três anos, caso a mineradora ache necessário.
Segundo o porta-voz Amaral, as informações sobre novas
minas representam um aprofundamento da pesquisa de minas que já tinham sido descobertas. Ele explicou que, mesmo após a privatização da Vale, o governo terá participação financeira nos resultados da exploração futura das jazidas.

mockup