As novas regras do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para financiar caminhões já estão afetando as vendas das concessionárias. As medidas incluem aumento de juros e diminuição do porcentual do bem a ser financiado, entre outras mudanças.
Na concessionária Vecodil de Curitiba, que comercializa a marca Volkswagen, as vendas estão praticamente paradas, tendo caído 90%, segundo o gerente comercial, Luiz Henrique Spezia. Ele diz que, em janeiro, a loja comercializou dez caminhões e, em fevereiro, apenas um. De acordo com o gerente, no segundo semestre do ano passado, a média mensal de venda era de 32 a 35 unidades. "Estamos travados. Com a falta de credibilidade do País, o empresário pensa duas vezes antes de comprar", alega. Os principais clientes da concessionária são indústrias e empresários da área agropecuária. Os preços dos veículos variam de R$ 105 mil a R$ 350 mil.
Na concessionária MacPonta, de Ponta Grossa, que opera com a marca DAF, foram vendidos quatro caminhões em janeiro e, em fevereiro, ainda não foi comercializada nenhuma unidade. O diretor da loja, José Divalsir Gondaski, diz que, como a concessionária foi inaugurada em novembro do ano passado, as vendas de janeiro não são consideradas tão ruins.
No entanto, ele, que também é presidente da Associação dos Distribuidores DAF do Brasil (Assodaf), lembra que as vendas de caminhões no mercado brasileiro atingiram 137.054 unidades em 2014 contra as 154.554 comercializadas em 2013, o que representou uma queda de 11,32%. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). "Esperamos que 2015 seja o último ano de mercado ruim", declara.
Segundo a Fenabrave, foram vendidos 7.674 caminhões no Brasil em janeiro de 2015 contra 13.697 em dezembro de 2014, uma redução de 44%. Em relação a janeiro do ano passado, quando foram vendidas 10.716 unidades, a queda é de 40%.
De acordo com Gondaski, para este ano, o mercado nacional – considerando todas as marcas - espera vender de 130 mil a 135 mil caminhões, volume inferior ao registrado em 2014. Em janeiro, a DAF vendeu 40 caminhões em todo o Brasil. O diretor acredita que as concessionárias de caminhões do País terão que começar a trabalhar com alternativas de financiamento, além do PSI. Consórcio e Crédito Direto ao Consumidor (CDC) são algumas delas.
Na Ellenco Iveco de Cambé, a previsão era vender 50 caminhões em janeiro. Mas, só 25 negócios foram realizados. "Ainda assim, os veículos que nós vendemos eram da linha leve. Porque o mercado de pesados está parado", afirma o gerente comercial, Cosme Bim. Segundo ele, além da piora nas condições de financiamento pelo BNDES, há outro fator contribuindo com a paradeira do mercado. "Os fretes rodoviários não estão acompanhando o aumento de custo dos frotistas, que não conseguem investir", afirma. Se continuar assim, de acordo com ele, as concessionárias terão de fazer cortes de pessoal em breve.

BNDES

Segundo o BNDES, no ano passado, foram liberados R$ 80 bilhões para financiamentos de caminhões. Neste ano, a previsão é de recursos na ordem de R$ 50 bilhões. A redução de valor, conforme afirma a assessoria do banco oficial, ocorreu por conta do ajuste fiscal que vem sendo promovido pelo governo Dilma Rousseff.
O PSI foi criado em 2009. Entre as mudanças que entraram em vigor em janeiro deste ano estão o aumento dos juros de 6% ao ano para 9% ao ano (para caminhoneiros), 9,5% para pequenas e médias empresas e 10% para empresas de grande porte. Até dezembro, o banco financiava 100% do valor do caminhão com juros subsidiados. Agora, o porcentual é de 50% para grandes empresas e 70% para os demais públicos.
O restante do porcentual que não é financiado pelo banco com juros subsidiados tem uma taxa que sofre alteração todos os meses. Em fevereiro, é de 15,74% ao ano para grandes empresas e de 17,24% ao ano para as micro, pequenas e médias.

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