Novas regras tornam Copel atraente
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sexta-feira, 01 de fevereiro de 2002
Vânia Casado Equipe da Folha 
Curitiba - Depois das mudanças anunciadas pelo governo federal há cerca de três semanas, o mercado elétrico nacional está vivendo outra reviravolta, que pode tornar as ações da Companhia Paranaense de Energia (Copel) atrativas novamente. Como reflexo das mudanças ontem as ações ON da Copel fecharam em alta de 7%, atingindo R$ 15,25 o lote de mil ações. Analistas de mercado recomendaram a compra das ações, pela possibilidade de valorização que a estatal paranaense volta a ter no mercado.
Com as novas regras, a Copel poderá vender seu estoque de energia, atualmente comercializado em parceria com a Tradener, em leilões públicos. Com o leilão, as estatais não acumularão mais estoques de energia, que em alguns Estados geram prejuízos. Esses estoques se transformam em ativos rentáveis quando leiloados. Ou seja, o governo está criando um mercado aberto para a venda de sobras de energia.
O resultado do leilão público será transformado em dividendos garantidos para os acionistas das estatais, o que explica a valorização dos papéis da Copel ontem. Será muito difícil uma estatal de energia ter prejuízo daqui para frente, concluiu um analista ouvido pela Folha, que preferiu não ser identificado. Com isso, as companhias de energia passam a ser mais valorizadas no mercado e a Copel, por sua vez, volta a ser uma das empresas mais cobiçadas.
O mercado avalia que o cancelamento do leilão da Copel foi um bom negócio para o Estado, considerando que suas ações tendem a se valorizar ainda mais, com as novas regras. Analistas acreditam que o valor mínimo para o lote de mil ações, fixado em R$ 25,20 na época do leilão, tem condições de ser ultrapassado.
A edição dessas novas regras representa uma clara sinalização que existe a intenção de abrir o mercado no futuro e o recuo que houve no início do mês foi uma prática eleitoreira por parte do governo federal, disse o analista.
Segundo o ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, a energia das estatais será liberada para comercialização à razão de 25% do volume atualmente contratado por ano. Em 2006, quando o mercado estiver totalmente liberado, a expectativa é de que 50% da energia seja comercializada em leilão pelas geradoras federais e estaduais, 31% seja ofertada pelos produtores privados, 16% pela Itaipu Binacional e 3% pela Eletronuclear.
Outro ponto que ainda está sendo definido é a instalação do Mercado Brasileiro de Energia (MBE), que substituirá o Mercado Atacadista de Energia (MAE). A criação do MBE será por Medida Provisória e também depende da aprovação do Congresso. Parente disse que ainda não está definido se os leilões serão no MBE ou em bolsa de valores, mas o funcionamento do novo mercado é fundamental para que as demais regras de revitalização do setor passem a produzir seus efeitos. (Com agências)


