Brasília Em vez de dinheiro do Tesouro Nacional, a solução encontrada pelo governo para permitir que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) consiga aumentar sua carteira de empréstimos envolve mudanças nas regras estabelecidas pelo Banco Central (BC) para contabilizar o risco cambial dos bancos e aumento do limite para operações com câmbio, além da venda de três lotes de 500 milhões de ações, formados por papéis das principais empresas negociadas em bolsa de valores.
Ontem, o Ministério do Desenvolvimento anunciou as linhas gerais do pacote que está sendo montado, sem detalhar as medidas. No total, segundo nota do ministério, será possível liberar cerca de R$ 7 bilhões do capital do BNDES ''para alavancar suas atividades em 2004, aumentando o acesso dos setores público e privado a seus recursos, na moeda nacional e em divisas''. Com isso, o governo quer assegurar que o banco cumpra o programa de desembolsos deste ano, que envolve R$ 34,7 bilhões, e para o ano que vem, que terá R$ 47,3 bilhões.
''O BNDES poderá proporcionar pleno apoio financeiro à execução dos programas definidos pelo PPA (Plano Plurianual) e das prioridades governamentais nas áreas social, industrial, do agronegócio, do desenvolvimento científico e tecnológico e de consolidação do comércio exterior, com reflexos na geração de empregos e renda e no desenvolvimento regional'', destaca a nota.
Segundo o presidente do BC, Henrique Meirelles, a idéia de editar normas que valerão para todo sistema financeiro é evitar uma prática antiga de ficar criando excepcionalidades para uma ou outra instituição isoladamente.
A primeira mudança diz respeito ao risco cambial, atualmente calculado considerando a moeda de origem de cada operação. Isso impede, por exemplo, que uma dívida em euro seja compensada por um crédito que o banco tem a receber em dólar.A nova regra do BC determinará que as principais moedas do mundo (libra esterlina, euro, iene, franco suíço e dólar) serão tratadas como uma única moeda - no caso, o dólar.
Somente essa mudança, segundo o presidente do BNDES, Carlos Lessa, permitirá reduzir a exposição cambial da instituição em algo entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões.

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