Quem possui renda acima de 12 salários mínimos (R$ 1.812,00) e não quer correr o risco de ter de esperar um ano para obter financiamento de imóvel usado terá de recorrer a empréstimo em outras instituições financeiras que não a Caixa Econômica Federal. Além disso, se o imóvel tiver valor acima de R$ 300 mil ou o financiamento for de valor superior a R$ 150 mil, e também não puder esperar por um ano, o interessado terá de concordar com condições mais pesadas de financiamento em outras instituições.
Essas são consequências para os consumidores das mudanças feitas pela Caixa na semana passada em sua linha de crédito habitacional. A Caixa passou a exigir nesses financiamentos depósitos mensais por um ano, no produto conhecido como Poupanção. A exigência do depósito e a demora na concessão do crédito dificulta o acesso ao financiamento de quem é inquilino.
Para compra pelo SFH de imóvel de até R$ 300 mil e financiamento de até R$ 150 mil, as condições no mercado para liberação imediata do crédito são semelhantes às da Caixa. Assim, essa é a saída para o interessado. No entanto, se a opção for por imóvel acima de R$ 300 mil ou o financiamento for superior a R$ 150 mil, a opção no mercado, que é a Carteira Hipotecária, é mais pesada que a antiga Carta de Crédito da Caixa.
Antes, a Caixa liberava de imediato esses financiamentos com juro de 12% ao ano. Com a mudança, essas condições somente são válidas para liberação do dinheiro após um ano. Ocorre que nos demais bancos, nessas condições, o juro sobe, em média, para 14% ao ano. A menor taxa foi verificada no Unibanco, de 12,8% ao ano. No Bradesco, essa taxa é de 15%; no BankBoston, de 14%; e no Itaú, de 14% para correntistas do banco e de 15% para não-correntistas.
Uso do saldo O gerente de Mercado da Caixa, Nédio Henrique Rosselli Filho, lembra que depois dos 12 depósitos o mutuário recebe a carta de crédito, mas o dinheiro depositado deve continuar rendendo por mais 24 meses. ‘‘Somente após esse prazo é que o cliente poderá utilizá-lo para pagar prestações ou abater o saldo devedor.’’ Para Rosselli Filho essa é uma forma de fazer com que o futuro mutuário faça um planejamento do orçamento familiar antes de comprar o imóvel.
As regras de financiamento para participantes do convênio Caixa Trabalhador não foram alteradas. Não será exigido o Poupanção. Portanto, quem adquirir um financiamento imobiliário pelo sistema também terá de arcar com juro mais alto, de 12% ao ano. Antes, essa taxa era de 10,5%. Participam desse convênio cerca de três mil empresas.