As cinco novas montadoras - Chrysler, Renault, Honda, Toyota e Mercedes-Benz - conseguiram, em janeiro, fatia de 7,56% do mercado de carros de passeio. O percentual é mais do dobro que tinham em janeiro de 1998. Enquanto a venda de automóveis destas cinco cresceu 65% na comparação entre janeiro e o mesmo mês do ano passado, o volume das quatro grandes - Volkswagen, Fiat, General Motors e Ford - caiu 24%.
Volkswagen, Fiat e General Motors mantiveram a participação em janeiro às custas da queda da Ford. Como a Ford paralisou durante o mês inteiro em razão do protesto dos demitidos, as outras três abocanharam parte do espaço. Isso foi possível porque as três dispõem de modelos com perfil semelhante aos carros-chefe da Ford - Fiesta e Ka. Os modelos Gol, Palio e Corsa, além de Fiesta e Ka, representam 67% do mercado.
Não fosse isso, o avanço dos ‘‘newcomers’’ - nome dado às montadoras que estão chegando no País - talvez trouxesse mais
desvantagens às empresas do setor instaladas há mais tempo. Durante os últimos 12 meses, período em que as fábricas dos newcomers começaram a ser inauguradas e a produção saiu da fase experimental, quase todas as novas conseguiram participação de mercado acima de 1%. Os números foram divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave) e representam o segmento de carros de passeio no varejo - do concessionário para o cliente.
O maior índice entre os newcomers foi obtido pela francesa Renault, que saltou de 1,13% de janeiro de 1998 para 2,32% no mês passado. A japonesa Honda - a primeira da nova fase a chegar - fechou o mês com 1,54%. Tinha um terço disso há um ano. A americana Chrysler chegou muito perto, com 1,53%, ante 0,46% de janeiro de 1998. A outra japonesa, a Toyota, saiu de 0,91% para 1,24%.
A Mercedes obteve menos de 1%, ficando com 0,93% (tinha 0,50% em janeiro do ano passado). Mas essa marca nem inaugurou ainda a sua fábrica de automóveis, que produzirá o compacto de luxo Classe A a partir de abril. Isolados, os números parecem pequenos. Mas somados, adquirem uma força que ameaça as montadoras que já estavam no País.
Os newcomers que já se registraram como montadoras conseguiram no mês passado 7,56% do mercado. Se somado à fatia das outras marcas importadas - 5,16% -, o número sobe para 12 72%. Há um ano, essas marcas de importadores independentes tinham 4,84% do mercado de carros de passeio. Junto com os newcomers, o porcentual era de 8,38%. Entre as outras marcas está ainda a Peugeot, que acaba de assentar a pedra fundamental de sua fábrica, no Rio de Janeiro e já anunciou que vai se filiar à assciação dos fabricantes.
A representatividade dos newcomers ainda está distante das grandes montadoras. A Volkswagen, líder do mercado, obteve 30,29% no mês passado, ante 30,34% de janeiro de 1998. Fiat, a segunda, ficou com 25,07% (tinha 25,79% há um ano). A General Motors saiu de 21,45% para 21,75%. Como os newcomers avançaram num mercado cujo volume total caiu 20,54%, é possível que essas três grandes não tivessem mantido fatias estáveis se a Ford não tivesse caído de 13,92% para 10,18% por consequência da paralisação na produção.
Apesar da distância que ainda separa os grandes dos newcomers, os representantes das montadoras conhecem a ameaça. Segundo o diretor de assuntos corporativos da Ford, Célio Batalha, isso faz com que todos busquem maior eficiência. ‘‘As novas estão chegando com índices de produtividade três vezes melhores que os nossos’’, destaca Batalha.

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