Representantes da DaimlerChrysler estiveram reunidos com o delegado regional do Trabalho, em Curitiba, Celso Rosa, na última quinta-feira, mesmo dia em que circularam informações de que a multinacional poderá transferir a planta industrial da Argentina para Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, como a Folha noticiou ontem. O delegado revelou otimismo em relação à transferência da outras unidades industriais da DaimlerChrysler para Campo Largo.
Segundo Rosa, a multinacional está analisando várias alternativas de transferência de plantas industriais de outros países para o Paraná, que apontam para a ampliação do número de empregos. Atualmente são 250 funcionários que estão em regime de licença remunerada até o dia 30 de setembro, conforme compromisso oficial assumido com o governador Jaime Lerner. Rosa antecipou que esse número de empregos pode ser ampliado para atender as necessidades da montadora, que deverá transferir para o Paraná uma nova planta industrial de montagem de veículos.
''Não só a planta de montagem de peruas e furgões Sprinter da DaimlerChrysler da Argentina poderá ser transferida para o Paraná, como também a transferência de plantas industriais da montadora em outros países está sendo analisada pela multinacional'', adiantou. Segundo Rosa, o grupo DaimlerChrysler está levando em consideração alguns fatores como o custo da mão-de-obra, a crise argentina e de energia (que hoje favorece o Paraná, já que o Estado não está sujeito ao racionamento). Há ainda a multa que poderia chegar a R$ 100 milhões, devida pela empresa ao governo do Paraná, que deu incentivos fiscais para a instalação da fábrica.
A tendência é que esses fatores pesem na permanência da Chrysler no Paraná, acredita Rosa. Segundo ele, as alternativas analisadas deverão ser apresentadas de forma mais concreta na reunião que será realizada na Delegacia Regional do Trabalho, no próximo dia 30, com a participação do Ministério Público do Trabalho.
A Chrysler, por sua vez, continua com sua política de silêncio que causa instabilidade aos funcionários. A empresa não confirmou ontem a transferência da planta industrial da região de Gonzáles Catán, na Argentina, para o Paraná.
O secretário da Indústria e Comércio, Eduardo Sciarra, manifestou confiança em relação à transferência de outra unidade industrial da DaimlerChrysler para o Paraná. Ele acredita que novos empregos serão criados. ''Não sabemos ainda qual o produto que será produzido aqui, mas sei que a empresa está analisando várias alternativas'', afirmou. A unidade de Campo Largo está fechada há quase cinco meses, desde que foi suspensa a unidade de produção da perua Dakota.
A reunião de representantes da diretoria da Chrysler com a Delegacia Regional do Trabalho é um compromisso assumido pela empresa em discutir o futuro da montadora no Paraná. Foi numa dessas reuniões que foi garantida a licença remunerada dos funcionários por três meses, que terminaria no dia 30 de junho e foi prorrogada por mais três meses. A empresa tem até o dia 30 de setembro para definir oficialmente se permanece ou não no Paraná.

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