O presidente da Ford do Brasil, James Padilla, considera inevitáveis novas demissões nas indústrias do setor automobilístico em 1999, em função da prevista queda de vendas. Sem arriscar uma previsão do volume de dispensas, ele disse que por mais que as empresas tentem evitar as demissões, elas serão necessárias, já que o volume de produção deve cair para 1,450 milhão de veículos no próximo ano. Isso significa uma queda de 6,5% na produção nacional, se comparado com este ano, e 25%, em relação a 1997.
‘‘Eu não vejo nenhuma perspectiva de mudança nesse cenário a curto prazo’’, disse o presidente da Ford, admitindo que a empresa está reavaliando seus investimentos futuros no País. Segundo ele, o aumento da alíquota da CPMF trará o maior impacto para o setor, projetando um aumento de 3 a 4% nos preços dos veículos. Apesar disso, Padilla não apóia a proposta, defendida por alguns setores empresariais paulistas, de substituir o aumento da CPMF por uma elevação de R$ 0,30 no preço dos combustíveis. ‘‘Isso traria um impacto tremendo para o consumidor’’, disse.
A redução acelerada das taxas de juros seria benéfica para o setor, de acordo com o presidente da Ford, mas não seria suficiente para aumentar a produção das indústrias de imediato. ‘‘O que nós precisamos é de consumidores’’, ponderou, lembrando que a empresa projetava que os juros estariam no patamar de 30% no próximo mês de janeiro, o que não acontecerá em função das medidas do programa de estabilidade fiscal.
Mesmo admitindo o impacto do programa, Padilla disse que o governo brasileiro adotou as medidas corretas e necessárias para enfrentar a crise financeira internacional. ‘‘Eu tenho enorme confiança na equipe econômica e no presidente Fernando Henrique Cardoso’’, afirmou. O presidente Fernando Henrique é, segundo ele, ‘‘um dos melhores políticos em atuação no mundo’’.

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