Henny Ray Abrams/France Presse‘Roleta russa’Operadores em Nova York, atônitos com o tombo das ações: queda foi a 3ª maior na história do Dow JonesA Bolsa de Nova York voltou ontem a ter a sua pior queda desde outubro do ano passado, quando estourou a crise asiática. O índice Dow Jones, que reúne as 30 ações mais negociadas, fechou em queda de 4,2%, ou 357,36 pontos, a 8.165,99 pontos. Em 27 de outubro de 97, teve queda de 554,26 pontos, ou 7,18%.
A queda de ontem foi a terceira pior em pontos na história do Dow Jones, que tem 102 anos, e talvez possa ser considerada o pior momento de uma série de quedas que vem ocorrendo há pouco mais de um mês. No início de agosto, o índice Dow Jones chegou a cair 299,43 pontos, ou 3,4%.
Com o resultado de ontem, o Dow Jones também já está a 1.171,98 pontos abaixo de seu recorde, de 9.337,97, atingido em 17 de julho. O índice eletrônico Nasdaq também fechou em queda ontem de 4,6%, ou 81,73 pontos, a 1.686,40 pontos.
De acordo com o antigo sistema adotado pela Bolsa, a queda de mais de 350 pontos, que já havia ocorrido por volta do meio-dia, deveria ter parado as negociações por 30 minutos.
Essa regra foi mudada depois da queda de 554,26 pontos em outubro, com o argumento de que interromper as negociações por 30 minutos quando a queda atinge 350 e depois 550 pontos provoca mais pânico no mercado. Agora, as negociações só são paralisadas por uma hora quando a Bolsa cai 10%, o que significaria em torno de 900 pontos ontem, ou duas horas, quando cai 20%.
A explicação dos analistas para uma queda tão brusca ainda é a crise da Rússia, que vem provocando incertezas e falta de confiança no mercado.
Segundo a analista-sênior da Merrill Lynch, Sonia Dason, o anúncio de que a Malásia está em recessão pela primeira vez em 13 anos e a queda recorde da Bolsa na Rússia foram os motivos que levaram à queda ontem também nos Estados Unidos.
Segundo Dason, os analistas estão muito inseguros não só quanto ao rublo, mas quanto às moedas de vários países, inclusive do Brasil. ‘‘As pessoas esperam uma desvalorização do real após as eleições presidenciais’’, disse.
Os problemas na Rússia não afetam diretamente uma empresa específica dos EUA, mas o que essa crise pode provocar no mundo, o risco de se espalhar para os mercados emergentes e a própria situação instável no mundo inteiro é suficiente para afetar a Bolsa nos EUA’’, disse o investidor-sênior da corretora Brean, Murray & Co., Peter Coolidge. ‘‘Há uma incerteza muito profunda quanto ao futuro. A Rússia vai conseguir resolver seus problemas? A crise vai se espalhar para a América Latina?’’

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