Agência Estado
De São Paulo
O País mal se safou do vendaval cambial de janeiro, pela mudança de política cambial e escalada das cotações do dólar, e enfrenta nova instabilidade econômico-financeira, novamente pela pressão no câmbio. A retomada de instabilidade cambial parece contraditória no momento que o País está retornando aos trilhos e a economia dá sinais de algum crescimento.
‘‘É a parte econômica influenciada pelo cenário político negativo’’, explica Luiz Carlos Costa Rego, economista-chefe do Banco Sul América, apontando como uma das principais fontes de instabilidade no mercado os desentendimentos dos partidos da base de apoio ao governo no Congresso. A questão, segundo ele, é que a disputa política expõe a fragilidade e a falta de comando do presidente Fernando Henrique Cardoso, que deixa o flanco aberto aos demais grupos de pressão, como o de caminhoneiros e de ruralistas.
A percepção inquietante do mercado, cujo sentimento tem sido traduzido pela turbulência no mercado de dólar, é que o governo está de mãos atadas, enquanto assiste às seguidas quedas de popularidade do presidente e à piora de indicadores, como o de nível de emprego.
A sensação desconfortável é que, internamente, o governo é refém de um Congresso interessado em outras questões que não na votação a toque de caixa das propostas de reformas econômicas de que o País necessita para pôr em equilíbrio as contas públicas. E, externamente, dependente do humor do sistema financeiro internacional que controla o fluxo de capitais de que o País precisa para honrar os compromissos em dólar.
Um dos motivos dessa forte dependência de capital dos investidores é a falta de resposta das exportações à desvalorização do real. Além da fragilidade política do presidente e das incertezas em torno do ajuste fiscal, o sócio-responsável de Análise de Investimento da Hedging-Griffo Asset Management, Enio Shinohara, aponta como fator de preocupação o fraco resultado da balança comercial.
Shinohara cita ainda como foco de tensão, externamente, o temor de elevação mais forte e constante dos juros norte-americanos, a crise argentina e o temor de que ocorra uma desvalorização cambial na China. São fatores que, somados ao internos, também poderiam estimular a saída de capitais do País.

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