Em meio aos quase 5 milhões de hectares do soja plantada no Estado, alguns produtores que apostaram na nova tecnologia Intacta RR2, da Monsanto, começam a avaliar os resultados desta novidade com a colheita da safra 2013/14. Lançada comercialmente no Brasil em julho do ano passado, a soja da multinacional é a primeira desenvolvida especialmente para um mercado fora dos Estados Unidos, com foco na América do Sul, onde a incidência de lagartas é recorrente.
No Brasil, foram usadas 1,5 mil áreas experimentais. Produtor da cidade Quarto Centenário, no Centro-Oeste do Estado, Carlos Apoloni plantou 150 hectares da nova tecnologia em meio a sua área de 2,5 mil hectares no município. Ele testa a Intacta há três anos, e esta é a primeira vez que acontecerá a comercialização do novo produto.
Nos resultados preliminares, inclusive com colheitas sendo realizadas ontem e hoje na propriedade da família Apoloni, os números foram bem positivos. A produtividade de um talhão monitorado pela Monsanto (plantado em 27 de setembro) chegou a 83 sacas por hectare, frente à média histórica da propriedade de 60 a 65 sacas por hectare. O recorde de produção da fazenda Boa Sorte, com a tecnologia RR (anterior à Intacta), foi de 77 sacas por hectare. "É claro que aqui é um experimento. Portanto, ficaria satisfeito se minha média fosse incrementada em 10% com a nova tecnologia", projetou Carlos Apoloni, durante a colheita de ontem.
Na área em que o plantio foi feito em 12 de outubro, a dessecação aconteceu antes da hora justamente para o evento de ontem. E a diferença de produtividade entre as duas tecnologias também foi significativa. A soja RR fechou com produtividade em 48 sacas por hectare, enquanto a Intacta, em 56 sacas por hectare. "Esta foi uma safra apreensiva, com uma preocupação no acompanhamento da lavoura devido às lagartas, principalmente a Helicoverpa", comentou Apoloni.
Se a Helicoverpa não chegou com força, a pressão ficou com a lagarta falsa medideira. Na fazenda Boa Sorte, foram quatro aplicações de inseticidas nas lavouras sem a tecnologia Intacta. "Para essas áreas, o custo ficou
R$ 100 a mais por hectare. É claro que a tecnologia Intacta tem o preço, enquanto o da semente RR está atualmente em R$ 3 o quilo, a Intacta gira em R$ 7 o quilo", complementou o sojicultor.
Para a safra 2014/15, a expectativa dele é aumentar a área de Intacta em pelo menos 30%. "Para a colheita dessa safra tardia, esperamos uma média melhor do que no ano passado, mas vale dizer que 30% da nossa área está afetada por esse clima muito quente". Há cerca de uma semana, a soja que ainda está no campo passa por um estresse hídrico muito forte, que pode acabar diminuindo a produtividade por hectare. (V.L.)

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