Nova tabela do frete passa a valer, irrita caminhoneiros e governo anuncia suspensão
Após protestos em rodovias do Nordeste, resolução que estipula preços mínimos será revogada provisoriamente; categoria diz que fretes foram subvalorizados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de julho de 2019
Após protestos em rodovias do Nordeste, resolução que estipula preços mínimos será revogada provisoriamente; categoria diz que fretes foram subvalorizados
Luis Fernando Wiltemburg - Grupo Folha 

Depois de começar a valer, nesta segunda-feira (22), a nova tabela de frete elaborada pela ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestres) foi suspensa provisoriamente. Os novos valores irritaram os caminhoneiros, que reclamam de subvalorização e chegaram a provocar protestos em algumas rodovias do Brasil. Em comunicado oficial publicado na internet, o Ministério da Infraestrutura informou que solicitou oficialmente à agência reguladora o embargo cautelar da resolução que instituiu os preços mínimos.
Uma nova rodada de reuniões com representantes dos caminhoneiros e o governo está prevista para a quarta-feira (24).
Presidente do Sindicam (Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Londrina e Região) e membro da CNTA (Confederação Nacional de Transportadores Autônomos), Carlos Dellarosa afirma que, se não houver mudança nos valores, deve haver paralisação da categoria. Ele foi convocado na manhã desta segunda para reuniões de emergência em Brasília.
“A maioria do pessoal está contra desde a publicação desta planilha do dia 18, todo mundo se revoltou. Nós avisamos o governo que isso estava errado, eles [governo] fizeram uma tomada Na semana passada, a FOLHA publicou que a nova tabela do frete derruba em até 44% o valor mínimo e beneficia principalmente o agronegócio. “Todos estão revoltados e têm de estar”, diz o líder sindical.
Nesta segunda (22), há paralisações em rodovias do Nordeste e do Espírito Santo, afirma Dellarosa. No Paraná, entretanto, devido aos bons preços obtidos no frete com a safra de milho, a categoria trabalha normalmente. “Mas e quando acabar a safra?”, questiona.
Além disso, os caminhoneiros aguardam nova negociação com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, para rever os valores mínimos decretados. “O agronegócio pensa que manda no mercado, mas é um ciclo, um depende do outro. [O setor] nunca pagou o preço real, porque pagam o 'frete-retorno'. Nós [caminhoneiros] não queremos pagar para trabalhar, mas [pleiteamos] um valor que seja bom para os dois”, diz Dellarosa.
Os representantes de entidades paranaenses relacionadas ao agronegócio preferem não comentar diretamente sobre os valores da tabela de frete. A Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná) informou que espera que o governo tome uma decisão definitiva sobre o tema. Já a Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) somente reiterou que é contra o tabelamento do frete, "por entender que a medida fere a Constituição Federal, ao impedir a livre concorrência de mercado, além de trazer consequências econômicas negativas".
SUSPENSÃO
O Ministério da Infraestrutura solicitou formalmente à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) a suspensão cautelar da resolução que instituiu o novo piso mínimo para o frete do transporte rodoviário de cargas. Em ofício encaminhado à agência assinado pelo ministro Tarcísio Gomes de Freitas, foi ressaltado que foi observada "uma insatisfação em parcela significativa dos agentes de transporte" e que "diferenças conceituais quanto ao valor do frete e o piso mínimo que pode repercutir na remuneração final dos caminhoneiros" devem ser novamente discutidas com a categoria.
"O diálogo segue sendo o principal mecanismo com o qual vamos buscar o consenso no setor de transportes de cargas. Por isso a importância em dar continuidade às reuniões", disse o ministro, em nota. (Colaborou Fábio Galiotto)


