Nova safra paralisa mercado de milho
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Elvira Fantin<br> Sucursal de Curitiba 
O mercado de milho está praticamente paralisado porque as indústrias decidiram esperar a entrada da nova safra, que começa já em janeiro com a colheita do milho precoce do Rio Grande do Sul. No próximo mês, começam a chegar também ao mercado brasileiro os primeiros carregamentos da safra paraguaia que já está sendo colhida.
Com isso, as indústrias estão revendo suas decisões de compra e preferindo aguardar o produto novo que estará em pouco tempo disponível no mercado, informou Paulo Molinari, consultor da Safras & Mercado. Segundo ele, os poucos negócios que estão sendo fechados são na base de R$ 6,50 a saca de 60 quilos. O valor é inferior ao preço mínimo, fixado em R$ 6,70 e bem mais baixo que o praticado pelo mercado há três meses quando a saca era cotada entre R$ 8,80 e R$ 9,00.
E as cotações do grão devem cair ainda mais. Segundo Molinari, o Brasil já tem contratado do Paraguai, desde maio e junho deste ano, entre 140 mil e 150 mil toneladas de milhos. Naquela época, diz Molinari, a tonelada do milho paraguaio foi contratado a US$ 180,00 por tonelada (US$ 10,8/saca) sif Chapecó. Molinari diz que nos negócios fechados agora, a tonelada do milho paraguaio está sendo cotada a US$ 130,00/tonelada (US$ 7,80/saca), cif Chapecó. No total o Brasil deve receber cerca de 200 mil toneladas de milho do Paraguai.
Em todo o mercado brasileiro, a Safras & Mercado estima que exista ainda 350 mil toneladas de milho da safra 95/96. O volume é pequeno, representando apenas 3,8% do total da safra que foi de 8 milhões de toneladas. A maior parte do milho foi vendida no primeiro semestre a preços bons, lembra Molinari.
Para o resíduo da safra, no entanto, não há mercado. Quem tem que fazer caixa está se desfazendo do produto a preços muito baixos e não há outra opção já que os preços tendem a baixar com a proximidade da nova safra, prevê.
Na busca por uma oportunidade de mercado, a cooperativa Coamo, de Campo Mourão, fechou esta semana um contrato para a venda de 100 mil toneladas para a Líbia e Marrocos, na África. O negócio, apesar de ter sido fechado por um preço baixo, pode ser considerado bom porque a cooperativa consegue desovar 100 mil toneladas que não teriam mercado internamente, observa Molinari. A venda da Coamo foi fechada por um preço médio de R$ 6,80 a saca, totalizando US$ 13 milhões.


