Vânia Casado
De Curitiba
O gado Purunã, uma nova raça, desenvolvida por pesquisadores do Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) está sendo apresentada na Feira do Paraná, que acontece até o dia 17, em Pinhais. A apresentação oficial vai acontecer no próximo dia 14, na Casa do Zootecnista, instalada no Parque Castelo Branco, região metropolitana de Curitiba.
O desenvolvimento da raça é resultante de pesquisas realizadas na fazenda experimental do Iapar, em Ponta Grossa.
O Purunã é uma raça composta, fruto do cruzamento das raças Charolês, Caracu, Aberdeen Angus e Canchim, em proporções de 25% cada uma. O resultado é um animal em que prevalecem as caracterísiticas do gado Charolês porque o Canchim já é resultado de cruzamento industrial a partir de 5/8 provenientes da raça Charolesa e 3/8 da raça Zebu. O gado Purunã é especializado em corte e foi desenvolvido para atender as necessidades dos pequenos produtores da região Centro-Sul do Paraná, explicou o pesquisador responsável pelo desenvolvimento do gado Purunã, engenheiro agrônomo Daniel Perotto.
A previsão do Iapar é vender sêmem de gado Purunã ainda esse ano. O pesquisador acha que é mais vantajoso para o produtor adquirir o sêmem do que investir na compra de reprodutores. A vantagem da raça para o pequeno criador é que elimina as dificuldades que teria em trabalhar com animais resultantes de cruzamentos industriais, disse Perotto. ‘‘Para o criador sem grande qualificação é muito mais fácil obter um animal de bom rendimento genético a partir de uma raça composta’’, justificou.
O animal da raça Purunã adquire características de carcaça semelhantes aos animais das raças Charolesa, Chanchim e Caracu, todas de porte grande, que adquirem em média acima de 500 quilos. A preocupação dos pesquisadores é evitar que as fêmeas fiquem muito grandes e adquiram esse peso. A intenção é que as fêmeas fiquem com peso inferior a 500 quilos.
Entre as vantagens da raça, Perotto apontou a qualidade da carcaça, rustificidade e boa habilidade materna e produção de leite, adquirida da raça Caracu. O criador que adquire o sêmen dessa raça tem condições de fazer um melhoramento genético de seu plantel. Isso porque estará adquirindo o que há de melhor na seleção dessas quatro raças, destacou o pesquisador.
Segundo Perotto, o Iapar vem trabalhando com melhoramento genético há uns 20 anos e nos últimos 5 anos vem se dedicando ao desenvolvimento da raça Purunã. Ele calcula que foram investidos em média R$ 250 mil por ano, no custeio do projeto.

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