Nova queda da Selic busca investimento na produção
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sábado, 13 de outubro de 2012
Fábio Galiotto <br>Reportagem Local 
A redução da taxa Selic de 7,50% para 7,25% ao ano, anunciada na última quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom), deixou os rendimentos das novas poupanças ou de fundos de investimento ainda mais baixos. Por outro lado, a medida fortalece a recuperação da atividade produtiva no País e facilita a aplicação de recursos na economia.
Para o consumidor, a mudança reduz em 0,02 ponto percentual ao mês a taxa de juros em operações por crédito ou de financiamentos. Porém, trata-se de mais um passo na política de redução de taxas que começou em junho de 2011, quando a Selic estava em 12,50%, explica o professor de economia Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios. No geral, a décima redução consecutiva na taxa baixou, por exemplo, os juros do comércio de 5,70% para 4,53% ao mês, uma diferença de -20,53%.
É no setor produtivo que a medida se faz necessária, tanto para o empresário quanto para o consumidor. Com a Selic menor, Leite conta que aumentam os atrativos para o investimento em produção e há manutenção dos empregos. ''O capital que era aplicado em títulos do governo passa a ser investido em produção, porque o custo do capital diminui e fica mais fácil conseguir crédito para investimentos'', diz.
Ainda, o professor de macroeconomia Antônio Eduardo Nogueira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que também funciona como uma sinalização às indústrias de que o País consegue manter a estabilidade diante da crise econômica mundial, com a tendência de redução contínua. No entanto, ele afirma que a desaceleração da queda, que ocorreu nove vezes em 0,50 ponto percentual e desta vez foi de 0,25, mostra uma certa preocupação com a inflação. ''Aumenta o crédito e o endividamento, então se não houver crescimento produtivo, pode ter inflação'', conta.
Nogueira acredita que os alimentos são um exemplo de produtos que estão mais caros hoje, por causa da entressafra, e é preciso administrar os preços. Por isso, a redução foi de 0,25 ponto percentual.
Para as próximas reuniões do Copom, Leite prevê uma manutenção do valor da Selic. O comitê evitou apresentar viés de baixa ou alta para o próximo encontro, o que mostraria a tendência para o próximo anúncio, no dia 28 de novembro.
Poupança
A política monetária reflete no rendimento apenas das cadernetas de poupança criadas depois de maio deste ano, quando foi criada a nova regra que limita a receita em 70% da Selic quando a taxa estiver abaixo dos 8,5%, mais a TR (taxa de referência de juros). Nos investimentos anteriores a maio, o valor continua de 6,17% ao ano mais TR.
Mesmo assim, a modalidade vale mais a pena do que os fundos de investimentos que tiverem taxa de administração superior a 1% ao mês, desconto que não incide sobre a poupança. A aplicação em fundos ainda sofre desconto pelo Imposto de Renda.
Para o professor Nogueira, porém, a redução de rentabilidade pouco interfere na decisão do consumidor que aplica na caderneta de poupança. ''Quem poupa está em busca de liquidez e quer guardar dinheiro para uma necessidade ou compra futura. Normalmente, essa pessoa não muda de aplicação toda vez que a taxa de juros é modificada'', conta.


