A globalização da contabilidade deve ser este ano a preocupação central das empresas brasileiras constituídas juridicamente tanto como sociedades anônimas (S/A) quanto limitadas. O anúncio foi feito pela doutora em economia da Universidade Estadual de São Paulo (USP), Marina Mitiyo Yamanoto, durante o 27º Ciclo de Estudos Contábeis de Londrina, que aconteceu entre os dias 19 e 21 de agosto. ''A empresa que não padronizar internacionalmente sua contabilidade, estará fora da cesta de captação de investimentos e não participará de outros mercados'', alerta Marina. O padrão global de contabilidade foi elaborado pela International Accounting Standards Board (IASB).
O prazo para que empresas brasileiras apresentem em seus balancetes padrões internacionais já começa a valer em 2009, com publicação dos resultados, custo e investimentos da empresa em 2010. A sigla IASB está sendo identificada, atualmente, por International Financial Reporting Standard (IFRS), que numa tradução aproximada, significa Normas Internacionais de Relatórios Financeiros (NIRF). A Lei que estabelece no Brasil a padronização internacional é a 11.638, de 28 de dezembro de 2007, que modificou a lei 6.404 de 1976, porém uma não exclui a outra. A lei é produto de normas emitidas pelo Comitê de Pronunciamento Contábeis (CPC).
A pesquisadora da USP destaca que os padrões internacionais são mais ''elevados''. Ela falou das operações de leasing, que são feitas por instituições financeiras brasileiras. Por exemplo, se uma determinada empresa tiver uma frota de carros (ativos) sem que esteja em seu nome deverá regularizar isso. Segundo Marina, pelo sistema IASB isso é considerado uma ''distorção'', porque quem utiliza o bem é quem deve declarar em seu balancete patrimonial.
Com a padronização, o grau de atratividade de capital internacional para investimentos dentro e fora do país será maior, calcula a pesquisadora.
A idéia da padronização surgiu nos Estados Unidos, principalmente, quando empresas americanas quiseram investir em outros países, quando então passaram a ser conhecidas no mundo por multinacionais. A necessidade de conhecer a saúde financeira de empresas estrangeiras fizeram com que americanos elaborassem as primeiras normas pela Internacional Accounthing Standards Comit (IASC). A convergência para o sistema contábil internacional por parte da Europa, Ásia entre outros continentes está em curso ainda. ''Uma boa parte do mundo já começa a ter suas demonstrações no padrão internacional'', destaca Marina.

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