Curitiba Uma nova Organização Não Governamental (ONG) deve ser formada, em Curitiba, para ajudar a encaminhar jovens carentes, de 16 a 21 anos de idade, para o primeiro emprego. A meta da nova ONG é firmar parcerias com pequenas, médias e micro empresas, oferecendo a estas consultoria sobre gestão empresarial e de negócios em troca de empregos para os jovens indicados e treinados pela ONG.
''Nós queremos mudar os modelos socias e contribuir, assim, para a redução dos índices de violência que estão ligados à falta de oportunidades para os jovens carentes'', disse uma das idealizadoras do projeto, a psicóloga Maria Lúcia Cardoso. A ONG deve trabalhar o perfil produtivo do jovem, e suas aptidões, e incluí-lo no mercado de trabalho. A organização pretende criar um cadastro em escolas de regiões carentes de Curitiba e região metropolitana, para que estas indiquem os participantes.
A assistência aos adolescentes e suas famílias deve durar seis meses. No final deste período, os jovens estarão capacitados para ingressar no mercado de trabalho. Fazem parte do cronograma a alfabetização e inclusão digital; debates com empresários e empresas, parceiros do programa; experiências profissionais vivenciadas dentro das empresas; e projetos sociais e comunitários desenvolvidos pelos mesmos. Segundo a psicóloga, o projeto já foi enviado à Secretaria de Estado do Emprego, Trabalho e Promoção Social. ''Nós estamos aguardando apenas os trâmites legais.''
DE acordo com a psicóloga, as bases econômicas da organização estão sendo formadas a partir do movimento internacional dos focolares, que surgiu há 60 anos na Igreja Católica, na Itália, e defende a criação de uma nova mentalidade visando a unidade, como a de religiões, classes sociais, raças e gerações. ''Nós queremos despertar valores de paz e fraternidade nas pessoas e resgatar sua dignidade'', disse Múcio Brum Cardoso, da equipe de coordenação do movimento no Paraná.
Uma das frentes trabalhadas pelos focolares, que realizam encontros e congressos em 182 países, é a da Economia de Comunhão, considerada por Múcio Brum Cardoso, uma das principais características do movimento desde o seu surgimento, em 1949, durante a Segunda Guerra Mundial. Os princípios da Economia de Comunhão são o reinvestimento na empresa, a doação aos pobres e a promoção de eventos para a propagação dos valores pregados pelo movimento.
Segundo Roseli Tortteli, proprietária da primeira empresa paranaense a aderir à Economia de Comunhão, a Pro Diet Farmaceutica, são 800 empresas no mundo inteiro que já aderiram à Economia de Comunhão, e cerca de 13 mil pessoas já são beneficiadas com o programa. No Brasil, são 90 empresas que já participam; no Sul do País são 16 empresas e no Paraná oito empresas já aderiram ao programa. Segundo Lúcio Brum Cardoso, cerca de 300 pessoas já foram beneficiadas no Estado.
Mônica Aparecida Bento, 22 anos, é uma delas. A estudante do segundo ano de geografia já recebe uma contribuição financeira de R$ 200 por mês desde 1999. Em 2001, o valor da contribuição caiu para R$ 132. Mônica trabalha durante o dia em um consultório de psicologia e, com a contribuição, complementa seu salário para pagar a faculdade e um curso de inglês.

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