Nova onda no varejo é abrir financeira
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quarta-feira, 13 de junho de 2007
Patrícia Cançado<br> Agência Estado 
São Paulo - O empresário Flávio Rocha, herdeiro do Grupo Guararapes, quis ser presidente do Brasil - ele era um dos candidatos nas eleições de 1989. Agora, quer ser banqueiro. A Riachuelo, rede de varejo do grupo, aguarda o sinal verde do Banco Central para montar uma financeira que, dentro de dois anos, pode se transformar no Banco Riachuelo, para abrir conta dos clientes das lojas e prestar serviço a outros varejistas.
A financeira, batizada de Midway, vai começar a operar até o fim deste ano. Para começar, a Riachuelo pretende investir R$ 60 milhões como capital de giro para financiar compras, saques e empréstimos pessoais. A rede já vende serviços financeiros, mas sempre por meio de parcerias com os bancos Alfa, Safra, Bradesco e Santander.
''A grande diferença é que agora o dinheiro será nosso. No futuro, o varejo não será uma empresa de compra e venda apenas, mas de relacionamento'', diz Rocha, vice-presidente da Riachuelo. ''Nós já temos o fundamental, que é o relacionamento com o cliente. Por isso não quisemos abrir mão disso e nos juntar a um banco.''
Embora tenha sido assediado por vários bancos, a Riachuelo optou pelo vôo solo após a experiência anterior na venda de serviços financeiros. Em 2006, obteve receita de R$ 255,6 milhões com tais serviços, 44% mais que no ano anterior. No primeiro trimestre, o ritmo de crescimento continuou alto.
''Existe algum espaço para crescer com crédito pessoal e venda com juros, mas os cartões de crédito com bandeira (aceitos também fora da Riachuelo) serão nosso principal produto'', acredita Rocha. O objetivo da rede é transformar os atuais 12 milhões de clientes do cartão da loja em usuários do cartão com bandeira.
Novo ciclo - A estratégia da Riachuelo, de oferecer serviços fora das lojas, é parte de uma nova onda do varejo, segundo o consultor Marcos Gouvêa de Souza, que lançará um livro sobre o assunto na próxima semana. Segundo ele, o Banco Ibi, ligado à C&A, e o cartão Hipercard, nascido dentro da rede de supermercados Bompreço, são os exemplos mais fortes no Brasil. No mundo, Gouvêa cita as iniciativas da inglesa Tesco e da chilena Falabella.
Inaugurado em 2000, o Banco Ibi tem 18 milhões de clientes e 135 agências (fora da C&A) no País. Além de prestar serviços para a C&A, o banco emite cartões para redes como Angeloni, de Santa Catarina; e Modelo, de Mato Grosso. ''Não há certo ou errado'', diz Gouvêa. ''Se o varejista entender que é interessante e não tiver um plano de expansão acelerada que vá consumir todo o dinheiro, pode assumir esse caminho.''
A financeira das Lojas Americanas é outra que já está extrapolando o universo das lojas. Das suas 249 unidades, dez estão fora das Americanas. Criada em maio de 2006, já emitiu 783 mil cartões, sendo 49 mil com bandeira Visa e Mastercard. Mas, ao contrário da C&A, essa não é uma operação tocada apenas pela rede de varejo. O Banco Itaú pagou R$ 280 milhões para se associar à empresa na financeira.


