Terceirizar é transferir para uma outra empresa um serviço que não é essencial e não diz respeito à essência do negócio. Essa forma de gestão empresarial se expandiu no Brasil na década de 90, quando houve a abertura da economia nacional para o capital estrangeiro e as alíquotas de importação caíram de 35% para 14%. As empresas brasileiras tiveram de se modernizar rapidamente e copiaram o modelo que já era usado nos Estados Unidos e Europa.
A terceirização chegou para garantir agilidade e competitividade para as empresas nacionais. Os grupos que entenderam rápido o recado e se modernizaram conseguiram sobreviver. Quem ficou parado perdeu espaço ou foi absorvido. Muitas empresas, resistentes à modernização, quebraram.
O diretor-técnico do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, Fulgêncio Torres, alerta, no entanto, para uma nova etapa que está por vir na economia nacional e que exigiria mais capacitação e competitividade das empresas. A chegada da Alca (bloco econômico das Américas), quando haverá nova queda das alíquotas de importação para 5%, a partir de 2005, trará um impacto devastador para quem não desverticalizou sua empresa.
Mas ao contrário da década de 90, desta vez o empresariado não será pego de surpresa, afinal a Alca tem sido anunciada sistematicamente pelo governo. ''Quem sobreviveu à primeira onda de abertura pode não sobreviver agora'', afirma Torres.
Mas, para alguns, os inegáveis ganhos de produtividade da indústria brasileira na década de 90 ainda estão longe de dar ao produto manufaturado no Brasil condições para competir, em pé de igualdade, com os concorrentes norte-americanos quando entrar em vigor a Área de Livre Comércio. Para Lia Valls, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV-RJ), do ponto de vista de exportações, a indústria brasileira corre o sério risco de perder participação em mercados já conquistados pela preferência tarifária do Mercosul. Ao mesmo tempo, no mercado interno, o produto brasileiro terá de enfrentar a concorrência do estrangeiro que pode ser melhor e mais barato.
Willian Archey, presidente da AeA, a Abinee dos Estados Unidos, já afirmou que, assim que a Alca for aprovada, o setor registrará a mesma rápida taxa de crescimento nas exportações para a América do Sul que a verificada no México após a criação do Nafta.(C.M. com AE)

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