Nova ocorrência de ''scrapie'', foi identificada no Paraná
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sexta-feira, 04 de abril de 2003
Vânia Casado<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Nova ocorrência de ''scrapie'', uma doença que ataca ovelhas, cujos sintomas se assemelham ao ''mal da vaca louca'', volta a assustar criadores do Paraná. A doença foi identificada num animal da Fazenda Experimental Gralha Azul, da Pontifícia Universidade Católica (PUC), localizada no município de Fazenda Rio Grande, Região Metropolitana de Curitiba.
O animal que apresentou os sintomas da doença, uma fêmea com seis anos de idade, da raça Hampshire Down, foi sacrificada no dia 27 de março. A determinação foi da Secretaria de Estado da Agricultura (Seab), que recolheu material para análise no laboratório da Universidade Federal de Santa Maria (RS), credenciado pelo Ministério da Agricultura para fazer exames de ''scrapie''.
Como o resultado deu positivo,, a Seab interditou a propriedade e o rebanho permanece isolado, à espera de uma decisão do Ministério da Agricultura, informou Felisberto Baptista, diretor do Departamento de Fiscalização. O caso já foi comunicado à Organização Internacional de Epizootias (OIE) pelo Ministério da Agricultura conforme estabelecem os acordos internacionais.
No rastreamento feito por técnicos da Seab constatou-se que a ovelha, descendente de animais importados, foi adquirida pela PUC de uma fazenda localizada no município de Teixeira Soares, próximo a Irati, que desativou o rebanho de ovinos.
A ''scrapie'' é uma doença que ataca ovinos, a partir da mutação genética de uma proteína denominada ''Príon'', que se encontra no sistema nervoso central do animal. Em determinadas situações, ainda não muito claras, há um acúmulo dessa proteína no sistema nervoso, o que desencadeia a doença, disse o professor Felipe Pohl, de Semiologia e Cirurgia Animal da PUC. Segundo Baptista, da Seab, a doença se manifesta quando a proteína sofre mutação e lesa as células nervosas do cérebro (neurônios).
A doença torna-se visível quando os animais começam a apresentar sintomas de origem nervosa, como coceira em excesso, alteração de marcha, dificuldade de equilíbrio, coordenação motora alterada, emagrecimento e perda de lã. A doença é fatal. Os veterinários afirmam que a doença não se propaga entre os seres humanos.
O último caso de ''scrapie'' ocorrido no Paraná foi há dois anos, quando a doença foi identificada numa propriedade de Candói, município próximo a Guarapuava, região Central do Estado. Na época, 505 animais foram sacrificados, por determinação do Ministério da Agricultura.


