A nova lei das Sociedades Anônimas prevê a total transparência nos demonstrativos financeiros das companhias de capital aberto que divulgam seus balanços trimestrais e anuais. A lei foi elaborada por técnicos e consultores da Comissão de Valores Mobiliários, da Abrasca (Associação Brasileira das Empresas de Capital Aberto) e da Abamec (Associação Brasileira dos Analistas de Mercados de Capitais).
A nova legislação que as empresas deverão adotar será enviada ao Congresso pelo presidente da República provavelmente no início do ano que vem. A preocupação é tornar estes balanços simples de serem entendidos pelos acionistas minoritários das empresas, como forma de atrair mais investimentos tanto do exterior como de pequenos investidores do mercado interno para as bolsas de valores, disse o assessor da CVM, Fábio Fonseca. Fonseca esteve ontem em Curitiba participando de um Seminário sobre Planejamento para Encerramento das Demonstrações Financeiras de 1998. O objetivo é fazer com que os próximos demonstrativos e balanços já sejam divulgados sob as novas regras, salientou, facilitando a compreensão dos dados pelos investidores.
Estas novas regras estão sintonizadas com as regras internacionais que pregam a modernização e transparência das demonstrações financeiras das empresas, disse Fonseca. Segundo ele, cerca de 100 empresas brasileiras de capital aberto estão negociando ações no mercado de capitais internacionais e em função disso já emitem balanços mais simples de serem entendidos. Isso, disse Fonseca, que facilita muito os investimentos por fundos de pensão ou outros organismos internacionais interessados em investir nestas empresas.
Estavam presentes ao Seminário os contadores e contabilistas das maiores empresas paranaenses, convidados da empresa de consultoria Ernst & Young. O executivo Wanderley Carlos Stringhini disse que a tendência no Brasil é cada vez mais o pequeno investidor aplicar seus recursos em bolsa, mas para isso precisa ter credibilidade no sistema para poder avaliar corretamente o risco da operação e encorajar-se a investir no mercado de ações. ‘‘E credibilidade se constrói com transparência e informação’’, justificou.

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