De janeiro até agora, 24 empresas de Londrina tiveram pedidos de falência protocolados no Fórum. Só em junho, mês em que entrou em vigor a nova Lei de Falências, foram quatro pedidos. Em 2005, foram feitos 50 pedidos. A chance de recuperação da empresa, prevista na nova lei, pode contribuir para a queda de pedidos nos próximos meses.
Na opinião do auditor do Ministério Público e especialista em Lei de Falência, Antonio Valeriano Lopes, sem a concordata, as empresas têm agora a chance de recuperação desde que apresentem um plano de negócio com a aprovação dos credores.
A justiça agora só vai homologar o que for decidido na assembléia de credores, explica Lopes. ''Por isso, os credores terão que pensar bem antes de pedir a concordata. A assembléia terá mais poder que o juiz'', compara. No plano de negócio, a assembléia vai aprovar também um prazo para que a empresa consiga dar a volta por cima e sair da insolvência.
Mesmo com os benefícios da lei, o auditor diz que, um país que tem um mercado volátil, uma carga tributária enorme e taxas de juros altíssimas, é sempre bom estar atento porque não é difícil que empresas cheguem a uma situação de insolvência. ''As que chegam a esta situação é porque têm muitos agravantes. Entre eles a rapidez do mercado e as altas taxas de juros. Hoje, um empresário que exporta carne, por exemplo, pode estar sujeito a qualquer barreira baixada na Europa que impeça a importação de seu produto. E aí, o que fazer?''
Por outro lado, observa o auditor, o empresário pode ter um mercado fantástico, mas não tem capital. ''O banco te oferece capital, mas os juros são impraticáveis''. Outro fator negativo é a carga tributária. Os países nórdicos que têm carga tributária alta como o Brasil, em torno de 40% a 50%, têm um nível de vida excepcional em termos de saúde, educação, moradia etc. Nós temos a carga tributária alta e não vemos esse recurso ser aplicado em melhorias à população''.

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