A cobrança pelo uso da água, aprovada na terça-feira pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos, causará impacto nas contas pagas pelos consumidores em um primeiro momento, mas a médio prazo trará mais benefícios. De acordo com levantamento da Secretaria do Estado do Planejamento, o usuário vai arcar com um aumento de 3% a 3,5% nas despesas com a Sanepar por causa da nova lei, mas a previsão é que em alguns anos a tarifa seja reduzida.
O decreto aprovado anteontem faz parte da Lei de Recursos Hídricos do Paraná, que regulamenta a utilização de bacias hidrográficas e que agora está toda regulamentada. O Paraná é o primeiro Estado a criar uma lei sobre o tema. A cobrança só será feita dos usuários da água bruta, tanto na captação quanto no lançamento dos efluentes, a partir do ano que vem. Os consumidores das empresas de abastecimento não serão cobrados diretamente, mas devem sentir impacto por causa do aumento de custos das concessionárias.
Os valores das taxas devem ser decididos por comitês, que devem ser formados em cada uma das 16 bacias do Estado. Por enquanto, foram criados apenas os comitês das Bacias do Alto Iguaçu, do Rio Tibagi e pedido para criação para a Bacia do Rio Jordão.
De acordo com o engenheiro do grupo específico do Meio Ambiente da Sanepar, Reinaldo Santos, a taxa cobrada na bacia do Alto Iguaçu, próxima à Região Metropolitana de Curitiba, deve ser a mais alta de todo o Estado. ''Mas isso será bem dividido, porque nessa região há mais indústrias e população, e assim o impacto não deve ser muito grande'', afirmou.
A chefe do Centro de Coordenação de Programas do governo do Estado, Yara Eisenbach, disse que os levantamentos feitos apontam para um impacto ao consumidor entre 3% e 3,5%. Se o consumidor paga à Sanepar R$ 30,00, por exemplo, pagaria cerca de R$ 0,90 a mais. ''Isso aconteceria em um primeiro momento, mas na medida em que a qualidade da água melhorar, haverá redução no gasto com o tratamento, e essa redução também deverá ser repassada aos usuários'', afirmou.
O Conselho Estadual de Recursos Hídricos espera arrecadar R$ 25 milhões por ano apenas com a cobrança da água nas bacias do Alto Iguaçu e do Alto Ribeira, que abastecem a região da Capital. Os recursos devem ser gastos na região em que foram captados, para a recuperação de mananciais que abastecem as localidades próximas. A reportagem tentou entrar em contato com indústrias da Região Metropolitana de Curitiba para comentar sobre a nova lei, mas elas alegaram que desconheciam o projeto.

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