Nova geração deve assumir o campo
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segunda-feira, 14 de agosto de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

O Brasil precisa estar preparado para enfrentar a agenda da sustentabilidade, não apenas com tecnologia, mas também com novos processos de administração da propriedade rural. Essa é a avaliação do engenheiro agrônomo Xico Graziano, mestre em economia agrária e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas), que participou do CBN Agro, realizado semana passada em Londrina. Em 2015, a ONU (Organização das Nações Unidas) definiu 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, do qual o Brasil é signatário. O segundo objetivo trata da erradicação da fome através da adoção de tecnologias sustentáveis para aumentar a produção de alimentos.
Os agricultores brasileiros já adotam um agronegócio sustentável com práticas como o plantio direto na palha, integração lavoura, pecuária e floresta, recolhimento de embalagens vazias de defensivos agrícolas, manejo integrado de pragas, entre outros. "Temos vários exemplos positivos, mas talvez tenhamos que avançar mais. Não precisamos temer a agenda, apenas aprimorá-la e tornar os agricultores simpáticos a ela", avaliou Graziano.
Segundo Graziano, é preciso renovar as lideranças da agropecuária brasileira, principalmente nas cooperativas e sindicatos. "A agenda da sustentabilidade é uma agenda dos mais jovens. É preciso pensar na sucessão familiar. As cooperativas já estão neste processo de preparar os novos quadros", afirmou Graziano.
Os futuros agricultores, de acordo com engenheiro agrônomo, precisam estar antenados com as novas tecnologias, com a dinâmica da economia globalizada e em sintonia com a agenda sustentável. "Ele precisa conhecer o mundo. Não dá para fazer agricultura enfiado no meio do mato como fazíamos. Os padrões da sustentabilidade são muito rígidos e impositivos", comentou.

Segundo ele, com as tecnologias é possível compatibilizar o ambientalismo com o ruralismo. Hoje, em torno de 70% das áreas plantadas utilizam o plantio direto. No Centro-oeste 100% do plantio utiliza a técnica. "Com o processo tecnológico de gestão você consegue produzir e preservar", disse.
Para a safra 2016/17, a estimativa da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) é de 238,22 milhões de toneladas de grãos. Um crescimento de 27,7% em relação à safra passada. A área plantada também apresenta aumento (4%), comparada com a safra 2015/16.
"Países como o Brasil podem fazer a intensificação da produção com o aumento da produtividade, mas ainda dispomos de áreas boas que podem ser aproveitadas. Boa parte delas estão em áreas desmatadas e ocupadas por pastagens de pouca produtividade", afirmou o engenheiro agrônomo.
Isso vem sendo feito nas pastagens da região de Umuarama (Noroeste), segundo Graziano. "Quando se faz esse novo sistema tecnológico de integração lavoura com pecuária, uma área de pastagem depauperada se torna próspera".
A sustentabilidade no agronegócio foi uma das discussões realizadas durante a última edição dos EncontrosFolha, dia 28 de julho, que teve como tema 'Como as mudanças climáticas desafiam o crescimento econômico'.

PESQUISA
O contingenciamento de recursos feito pelo governo federal atingiu os órgãos públicos de pesquisas agropecuárias. Por outro lado, as empresas estão investindo em pesquisas, principalmente no desenvolvimento de sementes, defensivos e implementos. A robotização chegou ao campo com o uso de drones como a FOLHA mostrou na semana passada, no caderno Folha Rural.
"Vamos mudar rapidamente em uma década. A nanotecnologia já está ai", disse Graziano. Na avaliação dele, o governo deveria investir em ciência básica e medidas de regulamentação e deixar a pesquisa de ponta para a iniciativa privada.


