O mercado não falou de outro assunto no primeiro dia de atividade econômica do ano. O euro, em termos de especulação, ganhou da crise argentina, que está tão perto. A nova moeda começou bem, mas vai demorar muito para fazer frente ao dólar, enquanto moeda forte - já que este é um dos seus desafios. Afinal, desde o início da unificação, em 1999, até a entrada definitiva no mercado, terça-feira, a perda de valor em relação ao dólar foi de 25%.
Ainda que os economistas norte-americanos duvidem do poder do euro, a geografia das moedas muda com o advento da nova moeda da Europa e o dólar, na União Européia, a partir de agora, tem que dividir a hegemonia com o euro e o iene japonês. No ranking o marco alemão dá lugar ao euro, mais forte e o bloco se fortalece com a substituição.
No velho continente sobra otimismo. Os países europeus têm consciência do longo caminho até chegar à paridade. Esperam chegar ao final deste ano com o euro valendo entre 0,90 e 0,95/dólar. Atualmente a relação é US$ 0,88. Isto em termos de longo prazos e para contratos futuros lastreados em euro. Nas oscilações de curto prazo a evolução é mais rápida: ontem o euro estava valendo 0,9001 dólar contra 0,8912 dólar segunda-feira à noite em Nova York.
FN59>Juros básicosO Comitê de Política Monetária (Copom) tem pelo menos duas fortes razões para reduzir a taxa referencial de juros (Selic) na reunião de janeiro: a) o governo trabalha com inflação zero neste mês de recessão no mercado e a economia internacional, com exceção da Argentina, dá os primeiros passos em busca da (ainda demorada) estabilidade.
ArgentinaExportadores dos setores moveleiro, avícola e equipamentos acham que o novo governo argentino está no caminho certo ao admitir o ajuste cambial pela desvalorização da sua moeda, o peso. Se isto se consolidar, os negócios com a argentina serão retomados antes mesmo da solução política.
Wall streetAnalistas de Wall Street trabalham com a seguinte opção: a Argentina desvaloriza o peso para uma taxa de 1,40 por dólar e depois fixa esse valor a uma nova paridade com o dólar ou com um ‘‘mix’’ que incluiria o euro e o real. A estratégia embute uma desvalorização do peso de 28,6%.

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