NOVA FIEP - ''É preciso pensar de maneira integrada'', afirma Junker Grassiotto
As duas chapas que concorrem às eleições da FIEP são encabeçadas por atuais vice-presidentes. Por que não foi possível compor um grupo só? Qual a diferença entre os dois?
Ao longo do mandato da atual diretoria, foram surgindo divergências sobre questões relativas ao direcionamento da federação. Essas divergências se referem à condução do atual presidente. Uma atuação personalista levou a instituição para caminhos considerados em desacordo com o pensamento de parte significativa da diretoria e de muitos sindicatos que integram o sistema.
Os dados da RAIS mostram que nos últimos 10 anos, enquanto os empregos na indústria cresceram 76% no Paraná e 72% em Maringá, em Londrina este aumento foi de somente 50%. Na sua opinião, por que isso acontece?
São várias as razões: houve uma enorme concentração de recursos direcionado para a região metropolitana da capital, o que gerou o empobrecimento do interior. Também temos o problema dos políticos eleitos que não souberam cumprir sua missão. Somos carentes, por um lado, de homens públicos dedicados ao bem-estar da sociedade e, por outro, de um eleitor que acerte na escolha.
Sua chapa sendo eleita, o que ela poderia fazer para impulsionar a industrialização de Londrina?
Acho que a maior contribuição seria disponibilizar nossa capacidade e competência. Conhecemos o setor. Conhecemos a cidade. A Fiep sempre poderá se colocar como parceira, mas não como locomotiva.
Outra reportagem da FOLHA, com base em levantamento da Codel, revelou que somente 33% dos 175 terrenos doados pela prefeitura a empreendimentos industriais nos últimos 10 anos foram construídos. O que o senhor acha dessa forma de incentivo?
Dentro do contexto brasileiro, incentivar acaba sendo a única alternativa. O ideal seria que as empresas se implantassem em determinada cidade em função das suas necessidades. Entretanto, se uma cidade for idealista e pensar somente nestes termos, vai ficar a ver navios. Então a solução é um bom projeto. Mas não basta planejar, é preciso depois controlar o processo. O que aconteceu aqui é que faltou controle. Na verdade, quem assumiu compromisso de construir não cumpriu, ou porque não tinha condições ou porque estava somente especulando, pegando um terreno com incentivos para agregar ao patrimônio.
Na sua opinião, como deveria ser uma política de atração de indústrias pelo município?
A sociedade deve ser convocada pra participar da concepção de projetos. Se dez empresários se unissem para formar uma empresa, cada um investindo R$ 1 milhão, em três anos formariam um capital de R$ 10 milhões que, junto com um financiamento do mesmo porte, gerariam R$ 20 milhões para investimentos. Que indústria construiriam? Uma que tivesse sido estudada pela Codel, adequada à nossa realidade. Quanto à atração, acredito em projeto. A primeira ideia exige estudo mercadológico. Os empresários de fora se agregariam como parceiros ou como iniciativas independentes. Também é preciso pensar de maneira integrada com nossos vizinhos. Podíamos começar a implantar o Arco Norte, desde que pressionássemos o Governo do Estado para nos ajudar.





