Nova economia tem 'lado bom'
Embora os movimentos do MST e dos caminhoneiros chamem hoje a atenção para estes setores, o cientista político Sérgio Abranches lembra que praticamente todos os setores da economia são afetados por deslocamentos na força de trabalho, sobretudo aqueles que entraram na fase de estabilização e abertura mais defasados ou sob alguma proteção. Ele lembra que os bancos, que eram beneficiários da inflação, tiveram que ajustar seus quadros com o real; enquanto os portos enfrentaram ondas de protestos de trabalhadores após a privatização.
Os setores de comércio e serviço que sempre foram privados não devem passar por grandes ajustes, mas a indústria, segundo o cientista político, ainda não completou sua reestruturação. Apesar da abertura e da estabilização, Abranches considera que as empresas acabaram reduzindo os investimentos com as crises externas, o que atrasou o processo de modernização tecnológica. O lado bom deste processo, foi que também o chamado desemprego estrutural , provocado pelas novas tecnologias, foi abrandado, evitando um aumento mais explosivo das taxas de desemprego mesmo nos piores anos da crise.
Agora, com a economia numa fase de maior crescimento, os investimentos tendem a crescer e também a modernização tecnológica. Ou seja, mais braços serão trocados por máquinas. No entanto, a taxa de desemprego, neste cenário, pode não crescer, segundo Abranches, porque, com o país em crescimento, haveria o chamado emprego conjuntural. Ou seja, a geração de postos de trabalho em novos negócios, principalmente em empresas ligadas à Internet, tecnologia e serviços, compensaria os velhos empregos perdidos com a automação das indústrias tradicionais.
Segundo Sérgio Abranches, talvez o Brasil possa entrar num período parecido com vivido pelos EUA, onde, nos últimos anos, a modernização destruiu 50 milhões de empregos, mas, ao mesmo tempo, a tecnologia, combinada com o crescimento do PIB, produziu outros 75 milhões de postos de trabalho.





