São Paulo - A mudança na forma de cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), definida por medida provisória que ainda será votada pelo Congresso, elevará os preços da farinha de trigo e, por consequência, do pão, biscoitos e massas. A Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) calcula um aumento de R$ 2 a R$ 3 sobre o atual preço do saco de 50 quilos de farinha de trigo.
Segundo o presidente da entidade, Roland Guth, a indústria - principalmente a instalada no Norte e Nordeste, mais dependente da importação do trigo por estar longe da região produtora - será prejudicada pelo fim da cumulatividade da cobrança do imposto.
Segundo a MP do governo, a partir de fevereiro a Cofins passará de 3% (hoje incidente sobre toda a cadeia do trigo) para 7,6%, cobrado sobre o valor agregado. Hoje, quando utiliza matéria-prima nacional, a indústria tem um crédito de 70% do valor do imposto, mas sobre o produto importado precisa pagar o imposto total. O Brasil importa aproximadamente 70% do trigo necessário para o abastecimento. Guth calcula que com a nova Cofins os moinhos do Norte e Nordeste terão um aumento da carga tributária de 4,5% e os do Sul/Sudeste, 3,5%.
''É preciso que se estude o impacto disso sobre produtos sensíveis como o pão e as massas'', diz Guth, que no Congresso conta com representantes da Confederação Nacional da Indústria em favor de mudanças na MP. ''Se não houver uma equalização do imposto, esses produtos, que impactam diretamente sobre a inflação e o custo de vida terão reajuste'', alerta o moageiro. Hoje, de acordo com a Abitrigo, o saco de 50 quilos de farinha de trigo é comercializado em São Paulo a R$ 52 e nas principais capitais do Nordeste a R$ 70.

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