Nova chance para o girassol no País
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sábado, 31 de julho de 2010
Fernando Scheller<br>Agência Estado 
São Paulo - A produção de girassol entra em uma nova fase no País, graças à necessidade das fabricantes de alimentos de oferecer produtos mais saudáveis ao consumidor. Produtores que antes lutavam para escoar o produto agora já plantam sabendo que têm venda garantida, a um preço previamente acertado com os compradores. E a tendência é que indústrias locais e multinacionais intensifiquem a procura pelo produto nos próximos anos.
Tudo isso, ainda, em uma escala relativamente pequena. Depois que a promessa do uso do girassol para o biodiesel não decolou por conta do alto custo em relação à soja, por exemplo , uma iniciativa da Pepsico deu novo fôlego à formação de um mercado profissionalizado para a cultura. A gigante multinacional, que já lançou versões dos salgadinhos Ruffles, Fandangos e Cheetos com óleo de girassol, somará 15 mil hectares de área exclusiva na safra 2010/2011, alta de 50% em relação ao ciclo anterior.
A Pepsico tem a meta mundial de triplicar o faturamento em produtos saudáveis até 2020. A multinacional controla a produção do óleo de girassol adicionado a seus produtos desde a seleção das sementes até a industrialização.
A goiana Caramuru Alimentos, dona da marca de alimentos Sinhá, também organiza a própria produção de girassol. A empresa processa hoje 20 mil toneladas de girassol por ano, o que se traduz em cerca de 9 milhões de garrafas vendidas no varejo.
No varejo, o óleo de girassol, por conta de seu diferencial de produto saudável, é vendido por cerca de R$ 3,50, contra cerca de R$ 2 do óleo de soja. De olho neste consumo, a Heliagro, que pertence à Terasol, de capital holandês, está expandindo o fomento ao plantio de girassol em vários Estados. Na safra que termina este mês, a empresa contratou 10 mil hectares de girassol, área que vai dobrar no próximo plantio, no início de 2011. Para formar o mercado, a empresa garantirá os preços de Chicago ao produto.
Biocombustíveis
Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, que incluiu o girassol em seu programa de biodiesel, a área plantada do produto no País é de 110 mil hectares o que, segundo dados de mercado, é suficiente para abastecer a metade da demanda nacional pelo produto. O restante é importado da Argentina, principalmente. Um estudo do próprio ministério vê pouco futuro para o girassol no biocombustível, afirmando que soja, milho e canola são mais adequadas a esta finalidade.


