Nova cerveja vai apostar na nostalgia
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de agosto de 1998
Cláudia Lopes 
Os idealizadores da cerveja Zanni, de Jataizinho, que começa a ser distribuída no Norte do Estado a partir de amanhã, apostam em dois trunfos para conquistar o consumidor londrinense: o bairrismo e a nostalgia. As pessoas estão curiosas para experimentar o novo produto, que tem gosto parecido com a bebida que era fabricada pela antiga Skol em Londrina. A semelhança de sabor irá transportar o consumidor ao passado, aposta Jorge Marcos Abud, gerente geral da Cervejaria Zanni.
Ele acredita ter fôlego para brigar com a concorrência na região justamente por causa desta similaridade entre as duas bebidas já que a empresa dispõe de poucos recursos para investir em mídia no momento. Para colocar a cerveja no mercado, a Zanni investiu US$ 9 milhões. Agora, vamos fazer um trabalho de corpo-a-corpo, através de degustação nos pontos de vendas, afirma. Nesta semana, Abud diz ter recebido cerca de 50 telefonemas de interessados em conhecer o produto.
A bebida será distribuída em 3,5 mil pontos de vendas de Londrina e região, entre bares, restaurantes, mercearias e panificadoras. Abud já negocia a colocação do produto em vários supermercados da cidade. No Paraná, existem 8,5 mil pontos de vendas cadastrados. Inicialmente, cobriremos cerca de 60% do Estado, diz ele. O preço da bebida já gelada deve variar de R$ 1,20 a R$ 1,50. É similar ao preço da concorrência porque não dá para fabricar uma cerveja de qualidade por menos.
A Zanni é feita pelo mestre cervejeiro Otto Siegfried Dummer (leia nesta página), que trabalhava na fábrica da Skol em Londrina. Jorge Abud também exerceu a função de gerente geral da Skol na cidade entre 1989 e 1992. Naquela época, nem imaginávamos fabricar outra cerveja. O sonho surgiu depois do fechamento da fábrica, conta. Dos 50 funcionários que trabalham na produção da cerveja Zanni, 12 eram da antiga Skol. O projeto foi viabilizado pelo dono da Zanni, o empresário José Eugênio Zaniratto, diz Abud.
A cervejaria tem capacidade para produzir 100 mil dúzias por mês. Apesar do projeto de ampliação depender da aceitação do público, acredito devemos dobrar a produção daqui a 10 meses, calcula Abud. A capacidade atual de brassagem (cozimento) é de 800 mil dúzias/mês.
O investimento em novos segmentos de cerveja também faz parte dos planos da empresa, segundo o gerente. Mas primeiro temos que colocar o produto no mercado e fazer um trabalho de fixação de marca, diz Abud. Atualmente, a fábrica tem 170 funcionários. Mas temos intenção de contratar outros 100 nas próximas etapas do projeto. Hoje, já geramos 600 empregos, entre diretos e indiretos.
A empresa - antiga Indústria de Bebidas Zaniratto - já produz refrigerantes das marcas Guaratuba, Zanni e Alegria Diet e atua no Paraná, interior de São Paulo, ABC Paulista, Rondônia e Acre. Abud afirma que a Zanni é uma cerveja pielsen, leve, de reduzido teor alcóolico e baixa fermentação. O produto começou a ser engarrafado na semana passada. Os testes foram iniciados há um mês. Quando a linha de produção estiver funcionando a pleno vapor, o faturamento da empresa deve dobrar, segundo o gerente. Em 97, faturou R$ 7 milhões.


