São Paulo - Será ''uma desgraça para o País'' se o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) promover um novo aumento da Selic hoje, ao encerramento de sua reunião iniciada ontem. As palavras são do empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim, ao deixar ontem à tarde o seminário ''A Indústria e a Reforma Sindical'', realizado pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
''Vou dar apenas um exemplo: se amanhã eu quiser largar de investir na minha empresa, eu chego na Votorantim às 8h e vou embora às 8h10, e ganho muito mais aplicando no mercado financeiro. Você acha que isso é justo? Na minha opinião, minha obrigação é desenvolver, criar nacionalmente novos produtos e gerar empregos'', afirmou. ''Apostar no mercado financeiro é nojento, com o perdão da expressão'', adicionou, em rápida entrevista.
As chances de o mercado de juros chegar ao segundo dia da reunião do Copom mais otimista ficaram bastante reduzidas, diante do quadro externo repleto de incertezas. Ontem, os juros dos bônus do Tesouro norte-americano fecharam mais uma vez em alta, refletindo o temor de que a política monetária por lá ganhe um tom mais conservador. E, por aqui, ficou ainda menor a corrente dos que consideram viável um ajuste de 0,25 ponto na taxa Selic.
O DI mais curto, com vencimento em abril, fechou com taxa de 18,99%, refletindo que, segundo as apostas do mercado, há 78% de chance de a Selic subir 0,5 ponto e apenas 22% de haver um ajuste de 0,25 ponto. E, entre operadores, há quem diga que, se a Selic subir realmente para 19,25%, então o mercado assumirá um tom ainda mais cauteloso. ''Se o Copom subir 0,5 ponto, então o mercado vai voltar a discutir se esta foi a última elevação ou se pode vir mais 0,25 ponto em abril'', prevê um operador. Ontem, no entanto, o consenso continuava sendo que o ciclo de aperto monetário acaba mesmo hoje.
Uma elevação de 0,5 ponto na Selic vai jogar uma forte expectativa, mais uma vez, em relação à ata do Copom. Esse documento é que mostrará qual o peso que o BC está dando ao quadro externo - que teve uma importante deterioração em relação à última reunião. E se está mantida a idéia de que o juro, no nível atual, está perto de fazer a inflação convergir para a meta do ano, como disse a ata da reunião de fevereiro.
De fato, houve uma mudança significativa no ambiente externo desde a reunião do mês passado, algo que o Copom, portanto, não poderia ter considerado ao emitir alguns sinais mais otimistas, tanto na ata, quanto no contato com o mercado. (Colaboraram Lucinda Pinto, Silvana Rocha e Mario Rocha/AE)

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