Notícia visa prejudicar mercado brasileiro
As entidades que representam os produtores de soja no Paraná atribuiram a reportagem divulgada no New York Times de ontem, a uma guerra de mercado. A reportagem dá conta que 30% da soja produzida no Brasil é transgênica, o que contraria a legislação nacional que proíbe o plantio de organismos geneticamente modificados. A reportagem repercutiu como uma brincadeira na Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e na Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
A argumentação é que o Brasil está ganhando mercado na Europa, enquanto Estados Unidos e Argentina que plantam a soja transgênica estão tendo seus produtos rejeitados. Para o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Abrasoja), José de Barros França, essa não é a primeira vez que os norte-americanos tentam minar o mercado internacional contra o Brasil. Justamente agora, quando nossa vantagem nas exportações é maior, eles estão desqualificando nossa produção, justifica.
Barros admite a hipótese que 30% da produção de soja do Rio Grande do Sul possa ser transgênica, porque lá os produtores trouxeram sementes da Argentina de forma clandestina. Mas isso não está devidamente comprovado. Existem somente insinuações frisa. Outra falácia divulgada pelos norte-americanos, segundo Barros, é que os produtores brasileiros estariam desmatando a Amazônia para plantar a soja. Ele explica que o plantio de soja na região é mínimo e está sendo utilizado para recompor as áreas que já eram de pastagens e estariam degradadas.
Segundo Barros, ele tem folders divulgados nos Estados Unidos de que o grão e farelo de soja brasileiros são de péssima qualidade, desqualificando totalmente nossos produtos, afirma. Segundo a Federação da Agricultura do Paraná, os Estados Unidos já têm cerca de 70% da área plantada com soja transgênica e a Argentina, em torno de 80% da área plantada, que fez com que perdessem mercado na Europa.
Conforme estudo feito pela Faep, o Brasil é o segundo produtor mundial de soja com uma produção de 30,05 milhões de toneladas na safra 99/2000, que corresponde a 19% do total mundial. Na safra passada, as exportações brasileiras do complexo soja alcançaram a receita de US$ 3,73 milhões. Exporta cerca de 70% do volume de produção para a Europa, mercado que rejeita a soja transgênica. O Paraná, principal produtor do grão com a produção de 7 milhões de toneladas na safra atual, é responsável por 25% da produção nacional. Tem também no mercado europeu seu principal comprador.
A argumentação dos paises europeus ao rejeitarem a soja transgênica é que não existe uma certificação que os produtos geneticamente modificados não causam danos à saúde das pessoas e ao meio ambiente. Segundo a Faep, os países europeus alegam que necessitam de maiores dados que certifiquem a seguridade para a preservação da saúde.





