Veja a íntegra da nota divulgada ontem pelo
Banco Central sobre a intervenção no Bamerindus
1) Nesta data o Banco Central do Brasil decretou intervenção nas seguintes empresas do Grupo Bamerindus: Banco Bameridus S.A., Fundação Bamerindus de Assistência Social, Bamerindus Participações Empreeendimentos e Bastec Tecnologia e Serviços Ltda.
2) Tal decisão foi motivada pelas crescentes dificuldades que o grupo vinha enfrentando há algum tempo. Elas se refletiram em uma perda sistemática de captação e em uma persistência de perecimento patrimonial provocada por prejuízos que chegaram a atingir valores da ordem de R$ 50 milhões mensais.
3) Não conseguindo financiamento para seus ativos, o Banco Bamerindus viu-se obrigado a recorrer de forma frequente à assistência financeira de liquidez do Banco Central.
4) Na busca de uma solução definitiva para suas dificuldades, o Grupo Bamerindus vinha há algum tempo discutindo com o BC a adoção de algumas medidas de caráter estrutural que, a seu ver, poderiam corrigir os problemas da instituição e reinseri-la de forma adequada no sistema financeiro nacional.
5) Algumas das medidas propostas foram aprovadas pelo Banco Central do Brasil. Permaneceu, porém, a necessidade de outras providências, entre as quais, notadamente, a capitalização imediata da instituição, sem a qual ficaria comprometida a eficácia de qualquer esforço de reestruturação da instituição.
6) Ao longo dessas negociações, o Grupo Bamerindus apresentou uma proposta de reorganização e ajuste do banco através de parceria com o UBS (Union de Banques Suisses) e o Banco Graphus. Esta proposta buscava tão-somente o restabelecimento da confiança e da credibilidade do banco comercial mediante: I) entrega da gestão do banco a uma administração profissional; II) uso de linhas de crédito a custos inferiores aos do mercado; III) promessa de venda do controle acionário em data futura. A proposta não contemplava qualquer esforço significativo de capitalização da instituição nos prazos e montantes que o Banco Central entendia como indispensáveis.
7) Merece registro o fato de as dificuldades do grupo já serem conhecidas, o que levou a outros grupos financeiros nacionais e estrangeiros a procurarem o BC para manifestar seu interesse em participar de uma solução para o problema. Presente à necessidade de desenvolver alternativas, o BC iniciou, paralelamente às negociações sempre prioritárias que vinha mantendo com o Grupo Bamerindus, entendimentos com esses grupos.
8) Exaustivamente analisada a proposta do controlador do Bamerindus, chegou-se a um impasse quando se esgotaram as possibilidades de ajuste pela proposta original do grupo e ficou ratificada a impossibilidade de aporte de recursos adicionais na forma de capitalização da instituição.
9) Das alternativas sob exame por parte do Banco Central, a que melhor atendia ao interesse público foi a apresentada pelo Banco HSBC (Hong Cong & Shanghai Bank Corporation), aqui resumida: I) formação de um novo banco comercial que adquirirá do Banco Bamerindus alguns ativos e passivos, entre os quais todas as suas obrigações para com o público; II) utilização de recursos do Proer para algumas operações, entre as quais o financiamento da compra da carteira imobiliária do Banco Bamerindus pela Caixa Econômica Federal; III) capitalização imediata do novo banco por parte do grupo HSBC no valor de US$ 1 bilhão. Esta operação preserva a normalidade das relações do Grupo Bamerindus com o público em geral, aí compreendidos todos os seus depositantes e aplicadores, de vez que a atividade bancária do Grupo Bamerindus está sendo adquirida por instituição internacional de grande porte - o segundo maior banco do mundo em ativos - o que concede extrema tranquilidade a toda a operação.
10) A opção pela proposta do Grupo HSBC apresenta, assim, as seguintes vantagens: I) a utilização de recursos no âmbito do Proer é menor do que quaisquer das outras alternativas consideradas ao longo das negociações; II) agrega substantiva parcela de novos recursos externos à economia sob a forma de investimento direto, em valor que representa cerca de 10% do total de investimentos desta espécie recebidos pelo país em todo o ano de 96, que foram por sua vez os maiores da nossa história; III) aumenta o grau de competitividade e segurança da atividade bancária, com reflexos positivos imediatos para os usuários do sistema.
11) Agrega-se a isso o fato de a intervenção no Grupo Bamerindus permitir a utilização dos recursos do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) para que se possa honrar os passivos associados aos depósitos em valores inferiores a R$ 20 mil.
12) Finalmente, registre-se que de acordo com o que determina a lei, estão indisponíveis a partir desta data os bens dos controladores e administradores do Grupo Bamerindus.
13) O BC tem a convicção de que a solução encontrada é aquela que, além de implicar no menor desembolso de recursos, é a que melhor atende ao interesse público e à sociedade brasileira e a que concede maior tranquilidade ao sistema bancário nacional.’’

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