Nova York - O Brasil tem de melhorar a qualidade dos gastos públicos para ser elevado para grau de investimento pela Economist Intelligence Unit (EIU), avalia o analista sênior para América Latina da instituição, Robert Wood. Segundo ele, o lado fiscal deverá ser um dos principais focos das agências de risco no próximo governo. ''Ainda há preocupação com o gasto público. Precisamos ver a dívida bruta abaixo de 55% do PIB (Produto Interno Bruto). É preciso haver reformas e uma melhora nos gastos antes de elevar o rating e isso pode levar algum tempo'', disse Wood.
A dívida pública bruta do Brasil, sem contar os ativos, do INSS e dos governos federal, estaduais e municipais chegou a 60,1% do PIB em julho. Já a dívida líquida do setor público chegou a 41,7% do PIB em julho.
Wood concedeu entrevista na noite de quinta-feira, dia 2, em Nova York, antes da divulgação dos dados do PIB do segundo trimestre na manhã de sexta-feira, dia 3. A EIU faz sua própria análise mensal independente de rating soberano dos países por meio do Country Risk Service (CRS), que leva em conta 61 fatores de avaliação em seu modelo. As agências de rating, por sua vez, são remuneradas para fazer suas avaliações, a pedido de empresas ou Estados, o que gerou muitas críticas em relação ao grau de imparcialidade das agências durante a crise do subprime.
O Brasil se tornou grau de investimento para a agência de classificação de risco Standard & Poor's e Fitch em 2008 e pela Moody's em 2009. Mas para a EIU, o Brasil ainda está a um degrau dessa categoria, com nota BB e perspectiva estável.
Para Wood, apenas com reformas, especialmente a tributária, e uma melhora da qualidade dos gastos públicos, com vigilância especial sobre os aumentos do funcionalismo público e salário mínimo, o País pode crescer de modo sustentável acima de 4,5% ou 5%, que em sua avaliação ainda é um nível ''baixo''.
Wood disse que tem chamado a atenção o aumento do papel do Estado durante a crise, citando o BNDES, e avalia que esse movimento deve continuar caso a candidata petista Dilma Rousseff seja eleita, o que para a EIU é o cenário mais provável. Para ele, se o papel do BNDES continuar crescendo isso pode se tornar ''preocupante''.
Ele disse ainda que não vê tanto espaço para tantos gastos em infraestrutura, como Dilma pretende promover, e teme pela ''perda de transparência'' no próximo governo. ''Numa visão mais ampla, os gastos correntes devem continuar a crescer com Dilma e isso pode ser um risco maior caso a economia piore seu desempenho'', disse.

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