Nosso ponto forte - Maria Ivanil Coelho Martins
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de novembro de 1997
Maria Ivanil Coelho Martins 
Estamos vivendo mundialmente um ciclo de expansão econômica seguido pela redução da oferta de empregos. Fábricas inteiramente automatizadas já estão em operação em três dos cinco continentes. Especialistas afirmam que em quatro décadas a humanidade fez mais progresso que nos últimos quarenta mil anos precedentes.
Somos praticamente assaltados pela intensidade, velocidade e pelo conteúdo oculto dessas transformações: você não sabe de onde elas vêm e quais são elas. Entretanto, a maioria das empresas brasileiras a as pessoas ainda não perceberam o que de fato está acontecendo. Analistas econômicos advertem que as organizações que não se adequarem às novas exigências e padrões de qualidade, não sobreviverão por muito tempo no mercado.
No mercado global, as empresas não sabem quem são seus concorrentes. Com a queda das fronteiras, seu principal concorrente pode estar do outro lado do mundo. A globalização também enfatizou um outro conceito: o da empregabilidade. Diante desta realidade, portanto, não só as organizações, mas também os trabalhadores terão que se adequar e corresponder aos novos desafios. Será necessário ajustar-se aos novos paradigmas e à cultura emergente no mercado.
Ser especialista não basta, você tem que ser multiespecialista. Tem que ser um empreendedor. Tem que elaborar para você mesmo um plano de educação permanente. Tem que saber liderar, saber trabalhar em equipe e ser inovador. Não basta mais saber e saber fazer; você tem que saber, saber fazer e saber ser ( atributos da inteligência emocional: ter empatia, saber ouvir, manter bons relacionamentos, ter ética, ser intuitivo, ter controle emocional, saber comunicar-se) e manter sempre o foco no cliente. Estes são os novos paradigmas da empregabilidade que o mercado global coloca para cada um de vocês, para cada um de nós. O nível de exigência do mercado é e será crescente, e a maioria de nós não está preparada para isto.
Por mais paradoxal que possa parecer, hoje mais do que nunca, o desafio que se coloca para cada um é tomar seus destinos nas próprias mãos. Seja por vontade própria ou para sobrevivência no mercado global.
E qual seria a habilidade que os brasileiros já possuem, e que poderia ser tomada como vantagem competitiva no mercado globalizado? Qual poderia ser o nosso ponto de partida como indivíduos e com organizações, para enfrentar a concorrência mundial?
Uma pesquisa realizada com uma amostra de 8000 pessoas inseridas no mercado profissional brasileiro nos últimos cinco anos mostrou que temos muitos planejadores (54%) e muitos criadores (37%). Entretanto, apenas 4% são inovadores, ou seja, saem do plano das idéias para a ação. Inovar significa agregar valor à criatividade, significa expandir e desenvolver esta capacidade e colocá-la em prática. Uma primeira aplicação da criatividade seria utilizá-la na descoberta de nosso próprios talentos. Onde podemos se melhores como indivíduos e como organização? Onde está nosso diferencial competitivo? Como fortalecê-lo.
A capacidade de criar é inerente ao ser humano, mas como toda habilidade tem que ser desenvolvida. O mais interessante é que no processo de desenvolvimento desta capacidade, outras habilidades serão trabalhadas: disciplina, perseverança, organização, análise, síntese, planejamento, determinação, administração do tempo, pensamento crítico, julgamento, persintência, autoconfiança, sensibilidade, percepção, intuição e, finalmente capacidade de liderança, negociação e trabalho em equipe.
Desenvolver a criatividade é tornar-se um eterno aprendiz, pois requer capacidade de trabalhar com dados relevantes, atuais, significativos, para combiná-los em idéias originais. Quanto mais informações e de melhor qualidade, maiores as possibilidades, pois você terá mais opções, mais idéias e mais informações como conteúdo para criar.
O mais interessante, é que ao ser incorporado, este processo se faz automaticamente, passando a fazer parte dos seus hábitos, pois agir criativamente é uma forma de viver. Trabalhar e aprender não precisam necessariamente ser atividades maçantes, pesadas. É possível trabalhar e produzir prazer com alegria. É possível tornar agradáveis e ao mesmo tempo produtivas as relações profissionais. É possível ser criativo todas as horas do dia, porque você terá o propósito de aprender sempre, em qualquer lugar, com qualquer pessoa, em quaisquer circunstâncias. E você vai penetrar um pouco mais no significado da palavra felicidade.
- MARIA IVANIL COELHO MARTINS é professora de pós-graduação em didática e metodologia do ensino; mestre em educação pela Unicamp; licenciada em física pela USP, pós-graduada em comportamento organizacional pelo Cesulon/Inbrape.


