Norte Pioneiro mobilizado pede crédito contra crise
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segunda-feira, 14 de agosto de 2000
Valcir Machado Enviado a Ibaiti Especial para a Folha 
Cerca de três mil pequenos produtores e trabalhadores rurais volantes do Norte Pioneiro participaram, ontem, em Ibaiti (67 quilômetros ao sudeste de Santo Antônio da Platina), da mobilização para pressionar o governo sobre a situação em que encontram depois da longa estiagem e das geadas. Eles se concentraram em auditório e no pátio da AABB ao lado de políticos e lideranças do setor agropecuário.
Dados da Seab de Jacarezinho apontam prejuízos de R$ 35 milhões este ano e projetam danos de R$ 60 milhões para 2001/02. Segundo Newton Carneiro, presidente da Associação Paranaense de Cafeicultura (APAC) são 50 mil desempregados no campo e a previsão é de que o contingente aumente ainda mais nos próximos dias. As lavouras mais atingidas foram o café e a cana-de-açúcar.
Carneiro propôs que a Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) que congrega os 28 municípios da região, decrete estado de calamidade pública como forma de forçar a liberação de recursos emergenciais. Segundo ele, apenas 5% das verbas anunciadas pelo governo federal para a cafeicultura chegaram ao Paraná.
O presidente da APAC disse que a categoria, para manter as ofertas de vagas de trabalho no meio rural, pleiteia também prorrogação de contratos de financiamento e que o BB abra linhas de crédito para os pequenos e médios produtores.
O presidente da Amunorpi e prefeito de Jacarezinho, Mário Gaspar, antecipou que dará endosso a quaisquer pedidos de calamidade social. O chefe regional da Seab, Fernando Vieira, observou, porém, que as solicitações devem ser feitas caso a caso porque Santo Antônio da Platina, Jacarezinho, Carlópolis e Ribeirão Claro não tiveram muitos prejuízos.
João Inácio Martins, vice-prefeito de Pinhalão, maior produtor de morango do Paraná, disse que em seu município a população está muito desanimada. Segundo ele, 80% da safra se perdeu.


