Vânia Casado
De Curitiba
Todo o Paraná foi prejudicado mas as lavouras mais castigadas foram as do Norte Pioneiro, Norte e Oeste do Estado. Nessas regiões, a situação é mais crítica e as perdas de milho, avaliadas pelos produtores ficam entre 80 a 90%. Conforme último levantamento da Secretaria da Agricultura, na média as perdas devem superar 50%. O estado deixará de colher mais de 1 milhão de toneladas na safra 1999/2000 em relação ao que se esperava durante a fase de plantio.
Mas estas perdas devem ser maiores porque os técnicos ainda estão a campo fazendo os levantamentos. Até o final do mês, novo levantamento será divulgado. Já existem indicativos de agravamento da situação do milho, soja, algodão, arroz, feijão, café da primeira safra.
Os produtores deixarão de receber o equivalente a R$ 366 milhões, 10% do Valor Bruto da Produção (VBP), dos principais produtos da safra de verão. Certamente haverá queda de faturamento e o prejuízo é enorme, avaliou a engenheira agrônoma Vera Zardo.
O prejuízo nas lavouras de milho está estimado em 12%. Mas já existem indicativos que o índice de quebra será maior, salientou a agrônoma do Deral. A situação só não é pior porque 47% das lavouras plantadas no Estado concentram-se na região Sul. Nessa região, vem chovendo regularmente desde dezembro e a situação se normalizou.
Nas demais regiões, a situação está bem crítica sendo que na região Oeste existem municípios com perdas de até 70%. Na região Norte a quebra é de 20% da safra, com a perda de 228.800 t; na região Oeste quebra de 23% e perdas de 168.630 t; região Centro–Oeste quebra de 33% e perdas de 91.080 t, na região Sudoeste quebra de 7% e perda de 76.665 t, na região Noreste quebra de 8% e perda de 10.181 t.
Além dos problemas de germinação, as lavouras foram atingidas pela estiagem no período de floração, reduzindo o potencial de produtividade. Enfrentou outros problemas como ataque de percevejos e lagartas, exigindo maior desembolso do produtor com a aplicação de produtos.
O milho já vem com problema de germinação e porte baixo desde o ano passado. Agora, com os bolsões de estiagem que resistem em muitos municípios, a situação está se agravando. Segundo Vera Zardo, já houve atraso no plantio da primeira safra. A projeção de crescimento de 6% para a área plantada não se concretizou.
O produtor não pode plantar no período recomendado e o aumento de área se limitou a 1%, passando de 1,53 milhão de ha na safra anterior para 1,54 milhão de hectares na safra atual. A expectativa inicial do Deral projetava uma área plantada de 1,62 milhão de ha ocupados com milho.
As lavouras de café foram atingidas pela estiagem e ventos frios em pleno período de floração, o que já provocou uma quebra de 20%. O prejuízo financeiro aos cafeicultores está avaliado em R$ 104 milhões.

mockup