Norte Pioneiro ainda insiste na liberação de financiamentos
Atraso na liberação de recursos pode comprometer cafeicultores no Paraná. O presidente da comissão técnica de Café da Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Wilson Baggio, disse que a demora no repasse dos recursos pode comprometer ainda mais a cafeicultura. Quanto maior o atraso, maior será o prejuízo. Temos que lutar pela liberação imediata para não inviabilizar a cultura no Estado, disse. Não é hora de desistir.
Os cafeicultores nacionais conseguiram aprovação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para o repasse de R$ 200 milhões para custeio de áreas que não foram afetadas pela geada, neste caso, com prazos de pagamento para um ano. Para as plantações parcialmente comprometidas pela geada o prazo determinado foi de dois anos.
Segundo Baggio, o governo deve realocar recursos na ordem de 70 milhões através do CMN para os produtores atingidos pela geada. Cerca de 43 milhões serão destinados às plantações paranaenses para a realização da recepa, poda e desbrota.
Os cafeicultores explicam que querem renegociar a dívida da safra 99-2000. A proposta do governo é de que os agricultores paguem 10% do valor do financiamento da safra anterior para dilatar o pagamento de custeio e dividir o restante em três parcelas a partir de janeiro. Na colheita o prazo para o início dos pagamento seria o mês de abril. Mas os produtores exigem uma prorrogação de dois anos de carência para o início do pagamento.
O Coordenador da comissão da Café do Sindicato Rural de Santo Antônio da Platina, Ailton Siécola Moreira, disse que o Paraná deveria ter um tratamento diferenciado. O Paraná foi o estado mais atingido pela geada, por isso devemos receber mais recursos do que os demais, disse.
O estado abriga cerca de 19 mil proprietários de café e sua área plantada se não é grande, pelo menos passa por profundas mudanças tecnológicas que deram bons resultados. Estamos inovando tecnologicamente. Isto conta para um país que precisa ganhar competitividade.
Os dirigentes do movimento de mobilização de cafeicultores iniciado em Santo Antônio da Platina, no mês de setembro, estão cautelosos. Segundo eles o preço atual do café é o menor dos últimos 7 anos. Eles disseram que apesar da liberação dos recursos a situação é delicada e que pelo menos nos próximos dois anos a cultura estará prejudicada.
O técnico da Emater de Santo Antônio da Platina Osvaldo Martins Rodrigues disse que a demora na aquisição de insumos e tratos culturais pode comprometer a safra 2000. Os cuidados devem ser realizados no momento correto para impedir maiores prejuízos.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Antônio da Platina, José Antônio Simioni disse que o pequeno proprietário também sofre com o atraso na liberação de recursos, mas que a expectativa dos cafeicultores é de que seja liberado cerca de 2 mil reais para cada produtor por meio do Pronafinho. Os recursos são direcionados para pequenos agricultores, arrendatários e meeiros para o financiamento da área de custeio. A expectativa é de que os recursos sejam liberados nas próximas semanas. Começamos a etapa de entrega dos projetos por meio da Emater.
O cafeicultor Eduardo Carstens, de Santo Antônio da Platina, disse que vai arrancar 90% do café plantado em sua propriedade. Segundo ele os prejuízos acumulados decorrentes do período de secas e das geadas inviabilizaram o negócio. Carstens reclama da falta de perspectiva em relação a cafeicultura. Vou manter 10% da minha lavoura. O governo não trata o produtor com seriedade e a situação tornou-se insustentável. Ele explica que a agricultura é uma atividade de risco e que o Estado não proporciona nenhuma garantia para o produtor. Sua família produz café há 50 anos.





