A região Norte Central do Paraná, onde estão inscritas Londrina e Maringá, ficou com apenas 13% dos recursos alocados no ano passado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) no Estado. Dos R$ 1,53 bilhão contratados pela Agência Paraná, R$ 200,8 milhões foram para a mesorregião que tem a segunda e a terceira maiores cidades paranaenses.
O Paraná é subdividido em dez mesorregiões geográficas. O BRDE, entretanto, forneceu os valores investidos no Norte Central, no Norte Pioneiro (R$ 28,1 milhões, ou 1,83%) e no Noroeste (R$ 31,2 milhões, ou 2%). A distribuição para as sete restantes, incluindo a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), não foi informada.
O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina (Sindimetal), Ary Sudan, acredita que o maior montante de investimentos deve ter sido aplicado na RMC, também a mais industrializada do Paraná. "Esses investimentos focam indústrias. Como não há um programa forte de industrialização do interior do Estado, ficam valendo para atrair as empresas apenas as vantagens que regiões metropolitanas podem oferecer", afirma.
O economista da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) Roberto Zurcher afirma que os investimentos do BRDE para a região são baixos, se comparados com a participação na composição do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná.
Com base no banco de dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a região foi responsável por 17% do PIB de 2013 – foram R$ 58 bilhões dos R$ 333 bilhões produzidos em todo o Estado.
Entretanto, Zurcher discorda da falta de uma política para a industrialização do interior e recorda que o Paraná Competitivo oferece incentivos maiores conforme a instalação se distancia da RMC. "Mas nem sempre a indústria se localiza pelo incentivo", diz.
Ele ressalta outros pontos que são levados em consideração, como a proximidade com a fonte de matéria-prima e o mercado. "Por isso, no Paraná, a mais significativa é a indústria alimentícia, dada a agricultura forte", explica. Outro ponto é a oferta de mão de obra qualificada, o que valoriza locais que têm faculdades.
A FOLHA procurou a assessoria de imprensa do BRDE para obter os outros dados de investimentos por mesorregião, mas o setor não retornou a solicitação até o fechamento da reportagem.

Lucro histórico
O BRDE fechou o ano de 2015 com lucro de R$ 263 milhões, um aumento de 24,11% em relação ao mesmo período anterior. Os números foram divulgados anteontem e representam o maior lucro do banco em seus 55 anos de existência. A entidade atribui o resultado ao aumento da receita de intermediação financeira, que subiu de R$ 1,04 bilhão em 2014 para R$ 1,2 bilhão em 2015, além da adesão ao Programa de Recuperação Fiscal (Refis) e à venda de bens decorrentes de recuperação de crédito.
As contratações do BRDE cresceram 21,2%, um incremento de 6.965 novas operações de crédito no ano passado. A liberação de recursos chegou a R$ 2,84 bilhões e as operações aprovadas bateram em R$ 3,48 bilhões. Segundo o banco, as operações contratadas vão viabilizar investimentos de R$ 4,81 bilhões, que devem gerar R$ 497,8 milhões em ICMS por ano para o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Dos R$ 12 bilhões de investimentos aplicados na Região Sul com recursos do BRDE, R$ 5,2 bilhões vieram para o Paraná, o que representa 42% do total de aplicações do Banco.

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