Dos 22 casos de raiva animal confirmados pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado do Paraná (Seab), em 2012, nove foram registrados na Região Norte. O primeiro foco foi verificado no final de dezembro do ano passado em propriedades localizadas em Primeiro de Maio, que agora soma três focos. Na sequência, foi confirmado um caso da doença em Bela Vista do Paraíso, um em Sertanópolis, três em Florestópolis e ontem, um em Mirasselva. A zoonose é transmitida por morcegos hematófogos (que se alimentam de sangue) contaminados pelo vírus mortal e pode ser transmitida para seres humanos e animais domésticos.
Carlos Alberto Bonezzi, coordenador da defesa sanitária animal da Seab em Londrina, salienta que a primeira providência a ser tomada, segundo protocolo da Secretaria, é que todas os animais em propriedades localizadas dentro de um raio de 12 km do foco sejam vacinados o mais rápido possível. Ele orienta que devem ser aplicadas duas doses da vacina num intervalo de 30 dias, que depois é mantida anualmente. ''O morcego permanece num raio de 5 km do seu esconderijo para se alimentar. Depois que o animal da propriedade estiver protegido, o morcego não consegue mais transmitir a doença'', explica Bonezzi.
Nas últimas semanas, uma equipe de quatro pessoas visitou as regiões onde focos foram encontrados para esclarecer aos produtores vizinhos quais as providências deveriam ser tomadas. O coordenador da Seab calcula que cada funcionário consiga visitar entre 13 e 15 propriedades por dia. ''É preciso vacinar todos os animais do rebanho. Não é algo muito caro para os produtores. Uma vacina custa entre R$ 0,65 e R$ 0,80 por unidade. Todos os animais com mais de três meses devem ser vacinados. Também vamos avisar as agropecuárias para adquirir as vacinas rapidamente.''
No caso do contato com seres humanos e animais domésticos, a responsabilidade é da Secretaria Municipal da Saúde de cada cidade. O procedimento padrão é avaliar se alguém da propriedade teve contato com a saliva do animal doente (altamente contagiosa) ou com o couro do animal. ''A pessoa precisa tomar a vacina o mais rápido possível. Já os animais domésticos possuem outra vacina específica para eles.''
Os últimos casos identificados na região Norte do Estado aconteceram em 2011, com cinco bovinos e cinco morcegos contaminados. Para Bonezzi, os casos sempre retornam depois de um tempo devido à falta de cuidado dos produtores rurais. ''O produtor toma cuidado durante um tempo, quando vê que a doença está perto. Entretanto, depois que o foco desaparece, a falta de atenção com as vacinações retornam''.

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