Norte do Paraná quer investidores alemães
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Rolândia - Mostrar números, dados e estatísticas que pudessem seduzir os investidores alemães a apostarem na região. Esse foi o tom do Encontro de Integração Brasil-Alemanha com o Norte do Paraná que aconteceu ontem pela manhã, em Rolândia (25 km a oeste de Londrina). A grande estrela do evento foi o secretário de Estado do Ministério da Fazenda da Alemanha, Caio Koch-Weser. Como resultado das discussões, os participantes assinaram um termo de compromisso para instalação de uma Agência de Desenvolvimento e Promoção Regional do Norte do Paraná. Uma comissão foi estabelecida e terá 90 dias para começar a organizar a agência.
''O Brasil vive um bom momento e essa é a hora para buscar investimentos,'' afirmou Koch-Weser. Segundo ele, a estabilidade monetária, fiscal e nas contas externas possibilitam que o Brasil se ofereça como um destino ' interessante' para os recursos dos investidores. Apesar de ressaltar os pontos positivos na econômia brasileira, Koch-Weser não deixou de mencionar o alto percentual dos juros internos e a pesada, mas sob controle, dívida pública. Mesmo grande e cheio de potencialidades, o Brasil recebe pouco investimento estrangeiro, avaliou ele.
Koch-Weser tem ligações estreitas com o Brasil. Nascido em Rolândia, foi estudar na Alemanha aos 15 anos. Formou-se em economia e trabalhou em órgãos como o Banco Mundial e chegou a ser candidato a presidência do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo o cônsul honorário da Alemanha para o Norte do Paraná, Adrian von Treuenfels, a idéia é aproveitar essa proximidade com uma pessoa influente e com boa vontade para angariar investimentos para a região.
Trinta mil indústrias instaladas, Estado responsável por 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, com índice de 12% de analfabetismo foram alguns dos dados apresentados pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Rodrigo Rocha Loures, durante a reunião com o governante alemão e lideranças da região norte. Segundo Loures, a região está apta a receber investimentos de capital estrangeiro.
Um dos pontos mais positivos do eixo Londrina-Maringá levantado por Treuenfels foi a média de idade da população, que está em 25 anos, além da boa escolaridade da mão-de-obra. Outro aspecto valorizado, foi o baixo custo de vida, 40% menor do que nos grandes centros, declarou. Apesar do custo de vida ser mais baixo, a presença de aeroporto, boas condições das rodovias e proximidade à São Paulo também são vantagens da região na hora de disputar investimentos.
Koch-Weser comparou a parceria atual com o trabalho da Companhia de Terras Norte do Paraná, que colonizou as terras no final da década de 20. ''Podemos fazer uma nova companhia: dessa vez trazendo as indústrias alemãs para se instalarem no norte do Paraná'', finalizou.


