Curitiba - A Petrobras reiniciou os estudos para a construção de um poliduto que deverá ligar Cuiabá (MT) ao Porto de Paranaguá. O traçado ainda não foi definido, mas é possível que os dutos passem por Campo Grande (MS), Dourado (MS), Paranavaí (PR), Londrina (PR) e Araucária (PR). A idéia, encampada pelos integrantes do governo federal, é fazer com que o poliduto transporte gás natural e etanol para a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) e para o Porto de Paranaguá.
Originalmente, o projeto previa o transporte do gás natural vindo da Bolívia. Por conta dos desajustes internacionais e da pressão do governo brasileiro sobre a construção de gasodutos pela Petrobras, ele foi engavetado. O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, não fala sobre os problemas políticos entre os governos brasileiro e boliviano. Garante apenas que os estudos começaram e estão previstos no Programa de Aceleração Econômica (PAC) do governo federal.
''O PAC prevê recursos para os estudos do poliduto, que inclui o ramal do gasoduto e um álcoolduto. As exportações do etanol só tendem a crescer. Estamos aprovando a construção de 170 novas usinas de álcool no Brasil, algumas já conseguiram financiamento com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Já temos tecnologia de ponta e contatos para exportarmos o etanol para o Japão e a Europa. As conversas estão adiantadas com os Estados Unidos. Isso vai acelerar a necessidade destes ramais em todo o Brasil'', explicou o ministro. Os estudos devem terminar até dezembro. No ano que vem, as obras devem iniciar. O custo para a construção do poliduto está estimado em R$ 2,2 bilhões.
Uma pesquisa do governo federal aponta que serão construídos no Brasil 4.526 quilômetros de gasoduto para chegar a 2010 com um nível de exportação de 55 milhões de barris por dia a mais do que hoje são importados da Bolívia. Também está previsto no PAC um alcoolduto entre Senador Canedo (GO) e São Sebastião (SP). A previsão, segundo Paulo Bernardo, é iniciar as obras do poliduto paranaense no ano que vem. ''Se conseguirmos o poliduto, escoaremos a produção do etanol para a refinaria e para o Porto de Paranaguá. Se vier o gás natural também, teremos uma melhora significativa da industrialização na região Norte do Paraná. As indústrias poderão ter uma alternativa mais barata de energia'', ponderou.
Atualmente, o Paraná é um dos maiores produtores de álcool do Brasil. Se o poliduto sair do papel, ele deverá transportar ao menos 18 milhões de litros de etanol por ano. ''Temos um campo vasto e promissor pela frente'', disse o ministro, em entrevista à Folha. Bernardo esteve ontem em Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba), onde fez uma exposição dos benefícios do PAC para as regiões metropolitanas. Além do poliduto, ele apresentou como obra prevista no PAC a construção de uma segunda ponte sobre o Rio Paraná -ligando o Brasil ao Paraguai na região de Foz do Iguaçu, a adequação do Contorno Leste de Curitiba, construção e recuperação de berços do Porto de Paranaguá, investimentos no Contorno Ferroviário Oeste (cujo traçado adequado ainda está em estudo).
O Contorno Ferroviário prevê um trecho alternativo entre Guarapuava, Irati e a estação Engenheiro Bley, na Lapa. A linha férrea, de aproximadamente 220 quilômetros, seria fundamental para concretizar o Corredor Oeste - que ligaria a região ao Porto de Paranaguá. Também estão previstos investimentos na área de saneamento e habitação, num valor total de R$ 6,6 bilhões para a Região Sul. Para ter direito aos recursos, os municípios terão que se habilitar. Terão preferência as prefeituras que fizerem parte de regiões metropolitanas. 

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