Norte do Paraná colhe abacaxis
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de janeiro de 2005
Célia Guerra<br>Reportagem Local 
Muito doce. Esse é o destaque dos abacaxis produzidos em Lupionópolis (105 km ao Norte de Londrina) que estão abastecendo parte do mercado consumidor da região. O produtor Silvio Dantas Haenisch conduz, com o auxílio da esposa Helga Ellwein, 12 alqueires da fruta e não esconde a satisfação com a cultura. A variedade escolhida é o Havaí (Smooth caienne), a que mais se adapta às condições climáticas do Paraná.
Do total produzido, oito alqueires estão em plena colheita. Além da doçura, a qualidade dos abacaxis os colocam à frente dos frutos ''importados'' das regiões tradicionais da cultura, como São Paulo e Minas Gerais. A proximidade da lavoura com o mercado consumidor permite que a colheita ocorra no tempo certo. ''O abacaxi amadurece no pé'', garante Haenisch.
A atividade teve início há quatro anos, na propriedade de cinco alqueires que possuem na cidade vizinha. Com o sucesso da cultura eles arrendaram o sítio de onde estão colhendo os abacaxis e já planejam mais uma expansão de área plantada. ''Temos as mudas e isso facilita o aumento da lavoura reduzindo consideravalmente o custo de implantação dos abacaxizeiros'', afirma. As mudas são retiradas das plantas em produção: os filhotes (mudas que saem da base do abacaxi) e os rebentos (retirados da brota da planta mãe). Cada abacaxizeiro produz em média 5 mudas de boa qualidade, informa.
Haenisch destaca que a fruta tem boa produção e rentabilidade, mas exige atenção e muita mão-de-obra do plantio à colheita. ''Oferecemos muito emprego'', ressalta. Uma das principais atividades manuais do manejo é o ensacamento das frutas. O produtor explica que a ação direta da luz do sol provoca queimaduras na casca interferindo na qualidade do produto.
Outro cuidado do produtor para a qualidade dos frutos está em evitar o excesso de aplicação de defensivos. Ele destaca que a cultura tem dois grandes inimigos a fusariose (doença provocada por um fungo) e o ataque da cochonilha (inseto que se aloja na base da planta). Pela vigilância constante que mantém, Haenisch consegue fazer as aplicações apenas nas regiões afetadas.
Apesar dos bons resultados que vem obtendo com a cultura, Haenisch diz que o principal entrave está na comercilização da fruta. ''Sem organização de venda não há quem sobreviva'', frisa.
Quem cuida dos contatos de venda dos abacaxis é a esposa Helga Ellwein. ''Temos um ponto de venda direta na Ceasa (Centrais de Abastecimento) além de supermercados de Londrina e região'', informa. O casal também envia parte da produção para Curitiba. Em algumas cidades da região há ainda a venda avulsa das frutas.
No atual estágio da colheita, o produtor está retirando em média 2,5 mil abacaxis por dia. Ele considera baixo o número de frutos colhidos mas destaca que, para garantir a qualidade, a retirada está associada à venda do produto. De acordo com o padrão de mercado os abacaxis são classificados por tamanho com três tipos: 10, 12 e 16 (coincide com a quantidade de frutos por caixa). O preço de venda é de R$ 10,00 por caixa.
Helga está aproveitando frutos pequenos ou tortos para a venda em polpa. Os cubos congelados de abacaxi são embalados em pacotes de 1,5 quilo (kg). O casal também doa parte dos frutos descartados para entidades assistenciais, como creches e hospitais.
SERVIÇO
Contatos com os produtores Silvio e Helga podem ser feitos através dos telefones 3341-7558 e 9106-9190.


