Norte-americanos vivem febre de consumo nesse final de ano
Do Financial Times
Os melhores esforços de Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), não impediram os consumidores norte-americanos de continuar gastando. A alta nas importações e o salto nos números de vendas do varejo são demonstração clara de que os aumentos nas taxas de juros não frearam a economia.
Uma alta considerável nas compras de carros e bens duráveis contribuiu para o crescimento de 0,9% nas vendas do varejo em novembro, diante do mês anterior. Os consumidores norte-americanos estão se beneficiando dos efeitos positivos da alta na Bolsas de Valores e demonstram pouca intenção de reduzir seus gastos.
A mais dramática demonstração do efeito do consumo norte-americano é o déficit em conta corrente do país. No terceiro trimestre de 99, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 90 bilhões a mais do que sua renda nacional quase US$ 1 bilhão por dia.
As boas novas nos números divulgados sobre a conta corrente dos Estados Unidos foram a alta, há muito esperada, nos totais exportados. As exportações de bens e serviços cresceram 3,5% ao longo do trimestre passado. Infelizmente, as importações subiram ainda mais, ou o equivalente a mais de 5,5% diante do trimestre anterior.
Os dados da balança comercial, divulgados ontem, indicam que o déficit comercial aumentou e ficou em US$ 25,94 bilhões em outubro, com importações de US$ 107,86 bilhões. Por enquanto, o déficit norte-americano em conta corrente está sendo financiado pela entrada de capitais externos.
Muitos desses recursos estão vindo na forma de investimento direto, em lugar de fugazes investimentos em carteira, o que dá solidez à economia. Houve uma queda no investimento estrangeiro direto no terceiro trimestre, mas os números do segundo trimestre foram muito fortes.
Isso significa que há pouco perigo imediato de que um déficit em conta corrente cause uma queda no dólar. A médio prazo, porém, à medida que o investimento nas economias da Europa, Ásia e Japão, que estão se recuperando, tornar-se mais atraente, os Estados Unidos podem encontrar crescente dificuldade em financiar seus dispendiosos hábitos de consumo.
As novas evidências quanto ao vigor dos gastos dos consumidores deixam claro que novos aumentos nas taxas de juros serão necessários no ano que vem. A economia dos Estados Unidos precisa ser gentilmente freada agora, antes que seus desequilíbrios internos e externos a forcem a realizar uma correção súbita e dolorosa. Analistas acreditam que os crescentes ímpetos consumistas dos norte-americanos, alicerçados por baixíssimo desemprego e salários em ascensão, não são tão fáceis de ser eliminados.





